Operação Lava Jato

PF marca data de perícia para verificar se Odebrecht registrou suposta propina para Lula

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Adriano Vizoni/Folhapress

    20.dez.2016 - Terreno na rua Doutor Haberbeck Brandão, em Moema, na zona sul de São Paulo, que teria sido oferecido para o Instituto Lula mas que acabou não sendo usado pela entidade

    20.dez.2016 - Terreno na rua Doutor Haberbeck Brandão, em Moema, na zona sul de São Paulo, que teria sido oferecido para o Instituto Lula mas que acabou não sendo usado pela entidade

A Polícia Federal deve começar no dia 10 de novembro uma perícia nos sistemas eletrônicos MyWebDay e Drousys - usados pela Odebrecht para gerir o pagamento de propinas - que pode verificar se houve algum registro de suposto pagamento de vantagem indevida ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A data foi informada nesta terça-feira (31) pela PF ao juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Justiça Federal do Paraná. A polícia não faz previsão de data para o fim dos trabalhos.

A análise dos softwares foi determinada por Moro no dia 13 de setembro, após pedido da defesa de Lula em processo da Lava Jato no qual o petista é acusado de ter recebido propina da Odebrecht na forma de um terreno em São Paulo para o Instituto Lula --nunca usado pela entidade-- e de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP). Em troca, o petista teria atuado para beneficiar a empresa em oito contratos com a Petrobras.

A defesa de Lula nega que o ex-presidente tenha recebido a posse ou a propriedade dos imóveis, menos ainda em contrapartida a uma atuação em contratos da Petrobras.

Os advogados do ex-presidente chegaram a pedir uma cópia dos sistemas usados pela Odebrecht, o que foi negado por Moro. O juiz, então, solicitou a perícia para identificar se os softwares contêm "documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal".

Em agosto, o MPF (Ministério Público Federal) anexou ao processo documentos que, segundo os procuradores, mostram que a Odebrecht usou seu "setor de operações estruturadas" --na prática, um departamento para repasse de propinas-- para pagar parte da compra do terreno supostamente destinado ao Instituto Lula. 

Estes documentos foram obtidos após análise do sistema Drousys, que estavam hospedados na Suécia e foram entregues aos procuradores em março. Em agosto, o MPF recebeu mais informações sobre o Drousys e o MyWebDay, mas que estavam armazenadas na Suíça.

Softwares estão em Brasília

A PF indicou dez peritos para a tarefa. Os sistemas MyWebDay e Drousys estão sob a guarda da PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília, e serão copiados pelos peritos na sede do órgão a partir do dia 7. Segundo o cronograma, assinado pelo delegado Felipe Hayashi, o tempo estimado para o procedimento é de 26 horas, e 18 HDs fornecidos pela Odebrecht serão usados no processo.

Depois, outra "cópia espelho" será feita pelos peritos da PF já em Curitiba, entre os dias 9 e 10 de novembro, quando a perícia deve então começar. As defesas, por meio de seus assistentes técnicos, terão acesso aos sistemas só após o fim da perícia, e sob a supervisão da equipe de peritos. 

Hayashi diz também que a PF não se opôs à presença dos técnicos indicados pela Odebrecht durante a perícia, já que a empresa "é a detentora do sistema e prestará auxílio constante à equipe de peritos".

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