Operação Lava Jato

Em depoimento, Cunha vai rebater acusações de fraude na Caixa, diz defesa

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Adriano Machado/Reuters

    Cunha é acusado de receber propina em troca de liberação de recursos do FI-FGTS

    Cunha é acusado de receber propina em troca de liberação de recursos do FI-FGTS

O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ficará frente a frente com procuradores do MPF (Ministério Público Federal) e delatores que o acusam de ter participado de um esquema de pagamento de propina na Caixa Econômica em troca de liberação de recursos do FI-FGTS, fundo de investimentos gerido pelo banco estatal.

Nesta segunda-feira (6), será a vez de o ex-presidente da Câmara dos Deputados ser interrogado na ação em que é réu junto com o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e os delatores Lúcio Funaro, Fábio Cleto e Alexandre Margotto.

Cunha será submetido a perguntas do juiz Vallisney de Oliveira, responsável pela condução do processo na 10ª Vara Federal de Brasília, dos procuradores do MPF e advogados dos delatores.

Por ser investigado, o ex-deputado terá o direito a permanecer em silêncio, mas seu advogado, Délio Lins e Silva Júnior, afirmou ao UOL que o peemedebista vai usar a oportunidade para tentar por em xeque as acusações contra ele.

"[Cunha vai] Rebater tudo e mostrar a improcedência das acusações e as mentiras de Funaro", disse o advogado, que também deverá fazer perguntas ao ex-deputado sobre pontos da acusação.

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A denúncia aponta que, entre os anos de 2011 e 2015, Cunha atuou na implantação de um esquema que funcionava por meio da cobrança de propina de empresas para liberar investimentos feitos com recursos do FI-FGTS.

Uma peça-chave no esquema, segundo a acusação, era Fábio Cleto, então vice-presidente de Fundos de Governo e Loteria da Caixa, que representava o banco no comitê de investimentos do fundo.

Os delatores dizem que Cunha foi o principal responsável pela indicação e manutenção de Cleto no cargo.

Em seu depoimento à 10ª Vara Federal, o ex-vice-presidente da Caixa afirmou que a aprovação dos projetos pelo banco sofria influência de Cunha e de Funaro.

"Desde o início comecei sob orientação de Lúcio Funaro ou de Eduardo Cunha", disse.

Segundo Cleto, ele informava a Cunha e Funaro quais empresas tinham pedidos de financiamento e aguardava a resposta dos dois sobre se deveria reter ou dar seguimento à aprovação do pedido. Segundo o delator, posteriormente ele era informado do valor de propina cobrado das empresas.

Apesar de os financiamentos serem decididos por 12 votos do conselho que deliberava sobre os investimentos, Cleto afirmou considerar que seu voto exercia influência sobre os demais, pelos argumentos técnicos que trazia.

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"Não acredito que meu voto era o decisivo, mas acredito sim que tive influência dentro desse comitê", afirmou Cleto.

A denúncia cita nove casos em que teria sido cobrada propina pelo grupo ligado a Cunha para a aprovação de projetos do FI-FGTS.

Funaro, que atuava como corretor de valores e indicou Cleto a Cunha, afirmou ter como provar todos os pagamentos que ele fez para o ex-deputado.

"Eu tenho como provar como gerei o dinheiro, como paguei, que eu paguei o advogado dele na Suíça, tenho todas essas provas. Aí eu quero ver como ele vai negar", disse Funaro em depoimento à 10ª Vara Federal. 

Por sua vez, Margotto, que trabalhou na empresa do corretor, em São Paulo, disse em seu depoimento ter visto um funcionário de Cunha buscar dinheiro no escritório de Funaro.

O próprio Funaro afirmou, também em audiência desse processo, que Cunha teria alugado um flat próximo ao escritório dele para buscar dinheiro de propina e distribuir a aliados.

"O deputado Eduardo Cunha alugou um flat na mesma rua que a minha para pegar dinheiro no meu escritório, levar pro flat e lá distribuir dinheiro de propina", disse o delator.

Ao deixar a sala de audiência da Justiça Federal, após o depoimento de Funaro no último dia 27, Cunha deu uma mostra de sua disposição em rebater as acusações daquele que é apontado como seu antigo sócio na propina.

"Eu vou desmentir tudo. É uma repetição do que já está na delação, e no meu interrogatório eu vou fazer a minha defesa e mostrar as mentiras que estão sendo faladas", disse o ex-deputado, em rápido comentário a jornalistas que acompanhavam o depoimento no último dia 27.

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