Governo escolhe novo diretor-geral da Polícia Federal

Luciana Amaral e Marina Motomura

Do UOL, em Brasília

  • Divulgação/PF

    Leandro Daiello (à dir) cumprimenta o delegado Fernando Segóvia, que irá substitui-lo

    Leandro Daiello (à dir) cumprimenta o delegado Fernando Segóvia, que irá substitui-lo

O presidente Michel Temer (PMDB) oficializou nesta quarta-feira (8) a troca do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, pelo delegado Fernando Segóvia, ex-superintendente da PF no Maranhão. A posse foi marcada para o próximo dia 20.

Daiello estava à frente da PF desde 2011 e sua saída estava sendo negociada desde o início do governo Temer. Daiello assumiu a PF ainda no primeiro mandato do governo da então presidente Dilma Rousseff (PT) e é um dos mais longevos da história da instituição. 

Sérgio Lima - 28.mar.2013/ Folhapress
Leandro Daiello Coimbra dirige a PF desde 2011

Em nota, o Ministério da Justiça agradeceu Daiello e oficializou a mudança. "O Ministério da Justiça comunica que o senhor Presidente da República escolheu nomear o Delegado Fernando Segóvia como novo diretor-geral do Departamento de Polícia Federal. Nesta mesma oportunidade, o ministro da Justiça expressa ao Delegado Leandro Daiello seu agradecimento pessoal e institucional pela competente e admirável administração da Polícia Federal nos últimos seis anos e dez meses."

Segóvia foi ao Palácio do Planalto acompanhado do ministro da Justiça, Torquato Jardim, para conversar com Temer na tarde desta quarta. A pasta agora está dando andamento à burocracia necessária para oficializar a transferência de cargo.

Antes de assumir a PF, Segóvia dirigiu o Sistema Nacional de Armas, responsável por controlar armas de fogo em posse da população; comandou a operação Upatakon 3 na reserva indígena Raposa do Sol, em Roraima, que retirou não-índios do local; foi adido da PF na África do Sul e coordenador de administração da corporação em Brasília; e comandou a Superintendência da Polícia Federal no Maranhão entre agosto de 2008 e junho de 2011.

Segundo o MJ, Fernando Segóvia é "advogado formado pela Universidade de Brasília, com experiência de 22 anos na carreira. Foi superintendente regional da PF no Maranhão e adido policial na República da África do Sul, tendo exercido parcela importante de sua carreira em diferentes funções de inteligência nas fronteiras do Brasil".

Entre as Operações conduzidas por Segóvia, estão a Rapina III, que prendeu 24 pessoas envolvidas em um esquema de fraudes em contratos públicos nas áreas de saúde e educação, que agiam em três cidades do interior do Maranhão. Durante um ano e meio de investigações, os agentes apuraram desvio de R$ 30 milhões dos cofres públicos. A operação da PF atingiu três municípios onde as fraudes teriam ocorrido - Imperatriz, Ribamar Fiquene e Senador La Rocque - e também a capital, São Luís.

Negociações para troca se arrastam há meses

As negociações para a troca de direção na PF estavam sendo feitas entre o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e o próprio Daiello, que relatava cansaço e dizia que queria se aposentar.
 

Em entrevista à época, Torquato disse que o trabalho da corporação seguirá o mesmo padrão de hoje. "A troca das pessoas será irrelevante, seja no Ministério da Justiça, seja na Polícia Federal, seja onde for", afirmou a uma rádio. "São três nomes, não posso divulgar. Um deles, obviamente, é o delegado Rogério Galloro [número 2 de Daiello], que é o diretor executivo, tem viajado bastante comigo, ajudado muito na concepção desse plano. Ele e Daiello são os dois mais próximos e mais importantes com os quais eu trabalho na Polícia Federal", afirmou.

Segundo a ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), a lista tríplice defendida pela corporação não relacionava Segóvia. Os eleitos por mais de 1,3 mil delegados haviam sido Erika Marena, Rodrigo Teixeira e Marcelo Freitas. Segundo a entidade, a lista tríplice oficial foi encaminhada à Presidência da República em meados de 2016. A ADPF não reconhece a lista tríplice do governo, que teria os nomes de Segóvia, Galloro e Luiz Pontel de Souza.

Em nota nesta quarta, a ADPF desejou sorte e sucesso a Segóvia, mas ressaltou que defende a escolha do novo diretor-geral "sempre por meio de lista tríplice, votada pelos delegados federais integrantes da carreira, assim como vem acontecendo em outras instituições".

"Ao tempo que manifesta a sua disposição em continuar defendendo um processo de mudança cultural e legislativa na escolha do dirigente máximo da Polícia Federal, inclusive com previsão de mandato, a entidade reafirma a disposição de dialogar e colaborar com o novo diretor-geral na busca do fortalecimento do órgão e aprimoramento dos mecanismos de combate à corrupção", afirmou.

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