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Bendine diz ser "vítima de complô" e não responde perguntas em processo da Lava Jato

Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil - Reprodução/Justiça Federal do Paraná
Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Imagem: Reprodução/Justiça Federal do Paraná

Do UOL, em São Paulo

22/11/2017 19h03Atualizada em 22/11/2017 19h38

Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, disse estar sendo "vítima de um complô" e não quis responder perguntas durante interrogatório realizado nesta quarta-feira (22) em Curitiba, em processo da Operação Lava Jato. Ele é réu por supostamente ter recebido propina da Odebrecht em troca de não atrapalhar negócios da empreiteira com a estatal.

"Meritíssimo, eu estava ansioso, depois desse pesadelo de quase sete meses, de ter a oportunidade de pela primeira vez me manifestar. Entretanto, eu estou percebendo que estou sendo vítima de um grande complô, uma série de mentiras e de pessoas que criam mentiras para comprar a liberdade", disse Bendine ao juiz Sergio Moro, que conduzia a audiência.

O ex-presidente da Petrobras disse então que preferia "manter sua verdade" e "usar a lei do silêncio", mesmo que pudesse "continuar conversas com o Ministério Público ou com a Polícia Federal", mas que não iria se pronunciar no processo em questão.

Logo antes de Bendine, Alberto Toron, seu advogado, disse a Moro que orientou seu cliente a ficar em silêncio por não ter tido acesso a documentos relativos ao caso, mesmo depois de Moro ter autorizado o acesso aos mesmos. 

Toron também citou o interrogatório do empresário André Gustavo Vieira da Silva, ocorrido logo antes, como motivo para orientar Bendine a não responder nenhuma pergunta. André Gustavo é acusado de ser um dos operadores da propina supostamente paga a Bendine.

"Entendo que, se ele prestar depoimento diante das duas circunstâncias que nomeei, a defesa dele é brutalmente cerceada", disse o advogado. 

Entenda o caso

As investigações da PF apontam que Bendine e pessoas ligadas a ele teriam solicitado vantagem indevida, em razão dos cargos exercidos, para que a Odebrecht não viesse a ser prejudicada em futuras contratações da Petrobras. Em troca, o grupo empresarial teria efetuado o pagamento de ao menos R$ 3 milhões, em espécie. Ainda de acordo com a PF, os pagamentos só foram interrompidos depois da prisão de Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo Odebrecht, em junho de 2015.

Bendine esteve à frente do Banco do Brasil entre abril de 2009 e fevereiro de 2015, quando deixou o banco para assumir a presidência da Petrobras. O executivo renunciou ao cargo de presidente-executivo da Petrobras em carta enviada ao Conselho de Administração em maio de 2016.

Segundo o MPF-PR, há evidências indicando que um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões foi feito por Bendine na época em que era presidente do Banco do Brasil para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht Agroindustrial. 

Além disso, há provas apontando que, na véspera de assumir a presidência da Petrobras, Bendine voltou a solicitar propina a executivos da Odebrecht para que a empresa não fosse prejudicada em contratos com a petroleira. Delatores indicam que, desta vez, a Odebrecht aceitou pagar a propina de R$ 3 milhões, com a atuação do doleiro Álvaro Novis.

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