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Bolsonaro critica Datafolha e diz que lidera apesar das "pancadas" que recebe

28.mar.2018 - Ezequiel Joatã Prestes/Fotoarena/Folhapress
Jair Bolsonaro participa de ato de pré-campanha em Curitiba (PR) Imagem: 28.mar.2018 - Ezequiel Joatã Prestes/Fotoarena/Folhapress

Do UOL, em Brasília e São Paulo

15/04/2018 21h00Atualizada em 15/04/2018 21h35

Pré-candidato à Presidência da República, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) criticou neste domingo (15), em entrevista a Band, o instituto de pesquisa Datafolha e afirmou que aparece bem colocado nas pesquisas de intenção de voto apesar das "pancadas" que recebe.

"O Datafolha não goza de credibilidade no Brasil", disse.

"Inclusive meu filho, no Rio de Janeiro, deu 7% [no Datafolha] no sábado e no domingo ele teve 14% [dos votos]. Acreditamos que se não tivesse tido essa pesquisa na véspera, meu filho teria ido para o segundo turno", afirmou o deputado, se referindo às eleições de 2016, quando seu filho Flávio Bolsonaro foi candidato a prefeito pelo PSC.

"E você fala que eu estou em primeiro, próximo da Marina. Com todas as pancadas que eu levo. Essa semana foi um festival por parte do Ministério Público, me acusando de racista", disse o deputado.

O deputado foi rebatido pelo apresentador José Luiz Datena: "Só queria deixar bem claro que o Bolsonaro está respondendo, mas eu não concordo. Eu acho que o Datafolha é um instituto de credibilidade", disse o apresentador. 

Em pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, Bolsonaro aparece na frente, tecnicamente empatado com Marina Silva (Rede), nos cenários em que o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foi incluído na pesquisa.

Nos cenários com Lula, Bolsonaro fica em segundo lugar, com 15% a 16% das intenções de voto. Lula aparece com 30% a 31%.

Na simulação sem Lula, Bolsonaro fica com 17%, e Marina, 15% a 16%.

Na entrevista, que foi ao ar neste domingo, Bolsonaro também defendeu-se da denúncia apresentada contra ele na última sexta-feira (13) pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, por racismo.

Na peça, a PGR referiu-se a episódio de 2017, em que Bolsonaro teria ofendido quilombolas.

"Quanto aos quilombolas, eu tenho imunidade total por quaisquer palavras, opiniões e votos", defendeu-se o deputado na entrevista exibida neste domingo. Apesar da exibição, o programa de Datena só deve estrear no próximo domingo (22).

"Eu gostaria que a ilustríssima senhora Raquel Dodge nos acompanhasse - tem que ser nessa semana, semana que vem não vale mais - nesse quilombola (sic) que eu fui em Eldorado Paulista. Para ela ver o desperdício de recurso. Maquinários abandonados. Eles não fazem absolutamente nada. É uma realidade", afirmou Bolsonaro, dizendo ainda que a PGR já fez uma "sentença" contra ele na denúncia.

Cotas e homofobia

Bolsonaro também falou de questões consideradas polêmicas como cotas para negros em universidades e homofobia. Sobre as vagas especiais, afirmou que essa diferenciação é o que causa racismo no Brasil.

Sobre o preconceito contra homossexuais, disse que seu enfrentamento é contra eventuais informações de livros escolares que, segundo ele, incentivariam a homossexualidade.

"Homofobia, Datena, quem não tem amigo e até parentes gays? Olha só, eu sou contra o material escolar. Eu não quero que o pai chegue em casa e encontre o filho brincando de boneca por influência da escola. É isso que está nos livros", declarou o deputado.

"Você descobre o sexo a 13, 14 anos de idade. Se o elemento tiver atração pelo sexo igual, vai ser feliz. Agora, ensinar para criancinhas que fazer sexo com coleguinhas do mesmo sexo... isso é um crime", disse.

Voto impresso

Bolsonaro voltou a criticar as urnas eletrônicas e defendeu a adoção do voto impresso nas eleições.

"Não confio [no voto eletrônico]", disse. "Eu não tenho como comprovar que teve fraude, e você não tem como comprovar que não teve", afirmou.

Para o pré-candidato, se fosse implantado o voto impresso ele venceria no 1º turno. "Eu tenho certeza que com voto impresso eu ganharei no 1º turno", afirmou.