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Polícia mineira negocia apresentação de Azeredo após ordem de prisão

Aloisio Fagundes, delegado de Polícia Civil, fala com a imprensa - Leandro Prazeres/UOL
Aloisio Fagundes, delegado de Polícia Civil, fala com a imprensa Imagem: Leandro Prazeres/UOL

Leandro Prazeres

Do UOL, em Belo Horizonte

22/05/2018 22h53Atualizada em 23/05/2018 07h56

A Polícia Civil mineira negocia com os advogados do ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) os termos da sua apresentação à Justiça. A informação foi confirmada na noite desta terça-feira (22) pelo delegado Aloísio Fagundes. Havia a expectativa de que Azeredo se apresentasse na noite desta terça-feira, mas, segundo o delegado, o prazo ainda está em negociação.

O TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) expediu um mandado de prisão contra Azeredo nesta terça-feira após a 5ª Câmara Criminal do tribunal rejeitar os embargos de declaração movidos pela defesa do ex-governador contra uma condenação de 20 anos e um mês de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro relacionados ao esquema que ficou conhecido como mensalão tucano.

Uma equipe da Polícia Civil chegou a ser enviada para a frente do edifício em que Azeredo mora no bairro Serra, área nobre de Belo Horizonte, mas os policiais não chegaram a entrar no local.

“A gente está num processo de negociação para a apresentação. Ainda não há definição [sobre quando a apresentação será feita]”, disse Fagundes em frente a uma delegacia de polícia no bairro Santo Antônio, na zona Sul da capital mineira.

Em função das negociações, a polícia não cogita a hipótese de cumprir o mandado na manhã desta quarta-feira (23) caso Azeredo não se apresente até lá.

Questionado sobre o motivo pelo qual a Polícia Civil não entrou no prédio de Azeredo após a decretação da prisão, ele disse que isso ocorreu porque a polícia ainda está negociando com a defesa do ex-governador. “Ainda não há definição sobre quando ele irá se apresentar”, disse o delegado.

Entenda o caso

Nesta terça-feira (22), por 5 votos a 0, o último recurso do ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) para evitar a prisão foi negado pela 5ª Câmara do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais).

O processo contra Azeredo se arrasta na Justiça há 11 anos. Ele foi denunciado pela primeira vez em 2007, pela PGR (Procuradoria-Geral da República), quando ainda era senador e tinha foro privilegiado.

Em 2014, quando os procuradores pediram sua condenação ao STF (Supremo Tribunal Federal), Azeredo, que era deputado federal, renunciou ao cargo, perdendo o foro privilegiado e fazendo com que o processo recomeçasse da estaca zero.

Em 2015, Azeredo foi condenado em primeira instância.

Sua sentença foi mantida em 2017. A defesa do político disse que pretende recorrer para evitar que ele seja preso.

Na última sexta-feira (18), seus advogados impetraram um habeas corpus com pedido de liminar solicitando um salvo-conduto para impedir sua prisão caso o TJ-MG rejeitasse seus recursos nesta terça-feira.

marcos valerio - Pedro Ladeira/Folhapress - Pedro Ladeira/Folhapress
Valério foi operador do mensalão tucano e do PT
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Caso é considerado embrião do mensalão do PT

O mensalão tucano é considerado por investigadores como o “embrião” do mensalão do PT. Entre as semelhanças estavam a utilização de contratos publicitários para abastecer uma contabilidade paralela e desviar esses recursos para campanhas e políticos.

Um dos principais atores dos dois esquemas é o publicitário Marcos Valério, condenado pelo mensalão do PT. Em depoimento, Valério disse que o mensalão tucano envolvia diversas outras pessoas.

No último dia 14, a Justiça mineira condenou cinco anos e sete meses de prisão o ex-senador Clésio Andrade (MDB) por crimes relacionados ao mensalão tucano. Em 1998, ele era candidato a vice-governador na chapa de Azeredo. Clésio nega seu envolvimento no caso.

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