Presidência rebate relatório da PF sobre compra de silêncio de Cunha por Temer: "insinuação mentirosa"

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Investigadores "retiram do contexto" falas de Temer, diz a Presidência

    Investigadores "retiram do contexto" falas de Temer, diz a Presidência

A Presidência da República rebateu nesta quarta-feira (13) trecho do relatório final da Polícia Federal na operação Cui Bono? e voltou a dizer que investigadores insistem em descontextualizar falas do presidente Michel Temer (MDB) com o objetivo de incriminá-lo.

A operação Cui Bono? investiga um esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal em benefício de políticos do MDB. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a Polícia Federal afirmou haver "indícios suficientes" de que Michel Temer teria dado aval ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, para a suposta compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) e do delator e operador Lúcio Funaro. Cunha está preso em Curitiba. Funaro, em prisão domiciliar em São Paulo.

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De acordo com o jornal, há um capítulo do relatório dedicado somente a explicar a suposta compra de silêncio de Cunha e Funaro por Temer. Ao todo, 16 pessoas foram indiciadas, como os próprios Cunha e Funaro, o ex-ministro da Secretaria de Governo e vice-presidente da Caixa à época Geddel Vieira Lima, o dono da Gol, Henrique Constantino, e executivos dos grupos Bertin, Marfrig e J&F, de Joesley Batista. O presidente não foi indiciado porque conta com foro privilegiado.

"É mentirosa a insinuação de que o presidente Michel Temer incentivou pagamentos ilícitos ao ex-deputado Eduardo Cunha e a Lúcio Funaro. Isso jamais aconteceu. A gravação do diálogo com Joesley Batista foi deturpada para alcançar objetivo político. A verdade é que, na conversa grampeada, quando o empresário diz que mantinha boa relação com o deputado, o presidente o incentiva a não alterar esse quadro", afirma a Presidência.

"Portanto, não tem nada a ver com aval a qualquer pagamento a quem quer que seja. Assim, é ridículo dizer que houve obstrução à Justiça e, muito menos, relativamente a qualquer caso envolvendo integrantes da Magistratura e do Ministério Público. O presidente não tinha nomes, e nem sequer sabia que o procurador Marcelo Müller estava trabalhando para a J&F da família Batista", defende a assessoria de Temer.

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Procurada pelo UOL, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência disse também que "perpetuam inquéritos baseados somente em suposições e teses, sem conexão com fatos reais".

"Apesar da ausência absoluta de provas, investigadores insistem em retirar do contexto diálogos e frases para tentar incriminar o presidente da República", acrescentou.

A crítica a supostas deturpações nas falas de Temer para fins políticos vem sendo utilizada pela Presidência desde o ano passado, quando o emedebista foi denunciado duas vezes pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A continuidade das peças foi suspensa temporariamente pela Câmara dos Deputados. Quando sair do Planalto, ambas poderão voltar a tramitar.

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