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Lula manteve diretores na Petrobras mesmo após saber de corrupção, diz Palocci

Segundo a delação de Palocci, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque (foto) teria cometido crimes, mas foi mantido no cargo - Paulo Lisboa 24.mar.2015 /Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
Segundo a delação de Palocci, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque (foto) teria cometido crimes, mas foi mantido no cargo Imagem: Paulo Lisboa 24.mar.2015 /Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

01/10/2018 15h27Atualizada em 01/10/2018 18h05

O ex-ministro Antonio Palocci afirmou em seu acordo de delação premiada que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter nos cargos diretores da Petrobras após ter conhecimento de que eles estariam envolvidos em acusações de corrupção na estatal.

Segundo Palocci afirma no no termo de depoimento prestado à Polícia Federal em 13 de abril, Lula o chamou para uma reunião no Palácio da Alvorada em fevereiro de 2007, logo após a reeleição do petista para seu segundo mandato. No encontro, diz o ex-ministro, Lula teria, "bastante irritado", lhe informado que teve conhecimento de que os diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque estavam cometendo crimes na estatal.

Ao ser perguntado por Lula se as informações seriam verdadeiras, Palocci disse ter confirmado a prática de irregularidades nas diretorias da estatal. 

Leia a íntegra dos documentos assinados por Palocci no acordo de delação

Duque e Paulo Roberto deixaram a Petrobras apenas em 2012, no primeiro governo Dilma Rousseff (PT).

O depoimento de Palocci foi assim transcrito pela Polícia Federal: "Em fevereiro de 2007, logo após sua reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva convocou o colaborador [Palocci], à época deputado federal, ao Palácio da Alvorada, em ambiente reservado no primeiro andar, para, bastante irritado, dizer que havia tido ciência de que os diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa estavam envolvidos em diversos crimes no âmbito das suas diretorias; que Lula indagou ao colaborador se aquilo era verdade, tendo respondido afirmativamente", diz trecho do documento.

Segundo Palocci, Lula foi o responsável por garantir a nomeação de Paulo Roberto Costa por indicação do PP. Palocci afirmou que Duque teria sido indicado por empresários próximos ao também ex-ministro José Dirceu (PT).

Ainda segundo Palocci, Lula não tomou medidas para tirar os diretores sob suspeita dos cargos. No depoimento, Palocci disse acreditar que, ao mostrar surpresa com o esquema de corrupção na Petrobras, Lula estaria testando se Palocci aceitaria a versão do ex-presidente de que ele não tinha conhecimento das irregularidades.

No depoimento, Palocci disse que "explicitou a Lula que ele sabia muito bem porque houve a indicação pelo PP de um diretor, uma vez que o PP não fez aquilo para desenvolver sua política junto à Petrobras, até porque nunca as teve, que a única política do PP era a de arrecadar dinheiro, que não havia sentido em se acreditar que o PP estaria contribuindo com políticas para a exploração do petróleo", afirma trecho da transcrição do depoimento do ex-ministro.

Parte da delação de Palocci foi tornada pública por decisão do juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba.

Moro decidiu retirar o sigilo desse trecho da delação ao incluí-lo numa ação penal sobre o Instituto Lula, na qual o ex-presidente é réu. “Examinando o seu conteúdo, não vislumbro riscos às investigações em outorgar-lhe publicidade”, diz Moro na decisão.

Duque e Paulo Roberto foram condenados em processos da Operação Lava Jato. Paulo Roberto firmou acordo de colaboração com os investigadores.

Palocci foi ministro da Fazenda no governo Lula e ministro da Casa Civil no governo Dilma, além de ter sido deputado federal por dois mandatos.

Defesa de Lula critica Moro

Em nota, o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, criticou a decisão de Moro de levantar o sigilo, classificando-a de "política", e diz que Palocci mente.

"Moro juntou ao processo, por iniciativa própria (“de ofício”), depoimento prestado pelo Sr. Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais", diz Zanin. 

Antes de fechar o acordo de delação com a Polícia Federal, Palocci chegou a negociar com a força-tarefa de procuradores do MPF (Ministério Público Federal) que atuam na Lava Jato, mas teve a proposta de delação recusada por falta de provas.

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