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Política

Esquema de corrupção permaneceu de Cabral até agora, diz PF

Eduardo Lucizano e Gabriel Sabóia

Colaboração para o UOL, em São Paulo, e do UOL, no Rio

29/11/2018 10h38Atualizada em 29/11/2018 12h52

O esquema de corrupção no governo do estado do Rio de Janeiro que resultou na prisão do governador Luiz Fernando Pezão (MDB) na manhã desta quinta-feira (29) existe de 2007, quando foi eleito o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), até os dias atuais. Questionado se as supostas irregularidades perduraram durante o período em que o governo atrasou o pagamento de servidores do estado, o superintendente da PF, Ricardo Saadi, confirmou que cobranças indevidas ocorreram após a eleição de Pezão, que assumiu o Executivo em 2014.

“Esse modus operandi, de cobrança de vantagem indevida, permaneceu durante todo o período. Desde o início das investigações de 2007 até agora, essa cobrança indevida permaneceu”, disse o delegado.

Segundo ele, o esquema recolhia em média 5% sobre valores de contratos firmados entre empresas e o governo fluminense --entretanto, as empresas, contratos e licitações suspeitos não foram revelados sob o argumento de que as investigações ainda estão em curso.

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Preso em operação decorrente de desdobramentos da Lava Jato, Pezão operou esquema próprio de corrupção e recebeu mais de R$ 39 milhões entre 2007 e 2015, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Em entrevista em Brasília, o procurador regional da República Leonardo de Freitas disse que as investigações reuniram indícios de que Pezão continuou a receber propina de empresas investigadas no esquema após assumir o governo do estado. "Sim, é possível dizer que a gente tem elementos que os pagamentos continuaram mesmo após o senhor Luiz Fernando Pezão ter assumido o governo do Estado do Rio de Janeiro", afirmou o procurador.

De acordo com a PF, o esquema de recebimento de propina sobre contratos públicos e corrupção de agentes relacionados ao governo, iniciado na gestão de Cabral, passou a ser liderado por Pezão em seu mandato. Em entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo", em outubro, Pezão chegou a afirmar que, assim que terminasse o seu mandato, gostaria de visitar Cabral de cadeia e "dar um abraço nele".

Nesta quinta, o delegado Ricardo Saadi, afirmou que na casa de Carlos Bezerra, um dos principais operadores do esquema, foram encontrados 22 anotações que identificavam pagamentos que somavam mais de R$ 2 milhões para Pezão.

Questionado durante a entrevista sobre quais provas embasaram a prisão preventiva (por tempo indeterminado) de Pezão, Saadi disse que este detalhamento poderia atrapalhar o curso da investigação. "Ele solto poderia atrapalhar o andamento deste processo [de apuração]. A decisão é não falar sobre este assunto de maneira mais técnica", resumiu. 

Os nomes das empresas que teriam repassado propina para o grupo supostamente liderado por Pezão assim como os valores repassados por elas também não foram revelados, "em nome do rito investigativo". Saadi também não detalhou o papel de cada um dos operadores do esquema, apesar de afirmar que "os atores cumpriam funções bastante específicas, conforme iniciado no mandato de Sérgio Cabral".

A reportagem do UOL ainda não conseguiu contato com a defesa de Luiz Fernando Pezão e outros citados na investigação. Após ser citado em delações anteriores, o governador sempre negou as acusações.

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