Topo

Flávio Bolsonaro descarta apoiar Renan ao Senado: 'O que oferece de novo?'

Fabio Teixiera/AFP
6.set.2018 - O então candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) Imagem: Fabio Teixiera/AFP

Do UOL, em São Paulo

04/12/2018 02h09

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) disse que seu pai, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), não deverá interferir nas eleições para a presidência do Senado, mas ressaltou que seu grupo político não vai apoiar uma eventual candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL) ao posto.

"O que ele tem a oferecer de novo? Qual é a colaboração que eles podem dar? Não é uma frente contra Renan, mas a favor do Brasil. Uma parte do Senado não vai caminhar com ele. Vamos conversar para ver até onde ele quer ir com isso", disse nesta segunda-feira (3), em entrevista ao programa Central da Transição, exibido pela Globo News.

Flávio disse que seu partido poderá apoiar qualquer outro nome, desde que esteja alinhado politicamente. "Tem que ser alguém ficha limpa, que conheça bem a casa e que esteja alinhado com esse novo momento político do país", afirmou. "A orientação do Onyx [Lorenzoni] (DEM-RS) é de aguardar até que os nomes se consolidem melhor". Onyx é coordenador da equipe de transição do futuro governo.

Para o futuro senador, essa postura faria parte da nova forma de atuação do presidente eleito em relação ao parlamento. "A intenção é resgatar o protagonismo do Legislativo, e os parlamentares têm que entender que mudou a forma sim. Sempre falamos que iríamos fazer diferente, então se fosse para fazer da mesma forma, a gente estaria fora".

Nessa linha, ele defendeu que os eleitores devem exercer pressão diretamente sobre os parlamentares em favor dos projetos de seu interesse. "Hoje há um instrumento que é a internet, que sem dúvida é um forte instrumento de pressão. É muito melhor para os parlamentares que eles sejam porta-vozes do sentimento de cada categoria, defendendo seus interesses sem fazer oposição sistemática".

Projetos prioritários

Com relação a seu mandato parlamentar, Flávio Bolsonaro disse que vai apresentar inicialmente um conjunto de propostas na área de segurança, incluindo a proposta de redução da maioridade penal. "É algo que vou dar prioridade. Há hoje todo um arcabouço legal que precisa de atualização. É preciso aumentar as penas mínimas para os crimes. Para que esperar que se cometa um crime grave para punir? É preciso acabar com o olhar caridoso em relação ao bandido. Em todo lugar do mundo, as políticas que deram certo nesse campo focam nessa questão da maior punição", disse.

O futuro senador defendeu ainda a política de seu pai de nomear militares para postos chave do governo. "Ele foi eleito para isso", disse. "Se fosse para botar ladrão, teriam votado no PT. As forças armadas são uma das instituições mais respeitadas do país. A fama dos militares brasileiros é de serem pessoas honestas, patriotas. Ninguém mais aguentava mais a escolha somente de sindicalistas e pessoas que entravam só para fazer negociatas. A população está vendo isso e sabendo fazer essa leitura".

Flávio voltou a criticar o PT ao se dizer aberto a críticas. "Estou sempre preparado para ouvir críticas construtivas. Não temos o direito de errar, e lidar com as críticas faz parte das dificuldades que vamos enfrentar. Não tem mistério. Se Lula e Dilma foram presidentes, Jair dará banho nisso fácil".

Jerusalém

De acordo com Flávio, a decisão de mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém já estaria tomada. "Seria uma incoerência do presidente se não cumprisse que prometeu na campanha", afirmou. Para ele, a alteração teria o propósito de aproximar o Brasil de Israel. "É um país que tem muito a contribuir com o Brasil, mas sempre foi alijado por questão ideológica. Não sei quando vai acontecer [a mudança da embaixada], mas o país considera Jerusalém como sua capital. A presença do [primeiro-ministro de Israel Benjamin] Netanyahu, que deve via à posse do presidente, deverá ser uma demostração desse prestígio".

O senador eleito destacou ainda a importância que seu pai dá à questão dos direitos humanos, cujo ministério ainda não está garantido no novo desenho da Esplanada feito pelo futuro governo. "Isso [a eventual manutenção do ministério] pode ser importante para mostrar que ele [Jair Bolsonaro] é a favor dos direitos sim, mas sob um novo direcionamento, e não da forma atual, em que eles são explorados de forma ideológica, colocando brasileiros uns contra os outros", comparou.