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Bolsonaro recebe medalha do Exército por "ato de bravura" em 1978

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

05/12/2018 12h56Atualizada em 05/12/2018 16h39

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) recebeu nesta quarta-feira (5) do Exército brasileiro a Medalha do Pacificador com Palma. A honraria é concedida a militares que, em tempo de paz, tenham realizado atos de "abnegação, coragem e bravura, com risco da própria vida", segundo informou o Centro de Comunicação Social do Exército.

A cerimônia de imposição da medalha teve a participação do comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, e foi realizada no Quartel General do Exército, em Brasília.

Divulgação/Governo de Transição
Bolsonaro posa ao lado do comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas (de cadeira de rodas) Imagem: Divulgação/Governo de Transição

Segundo o Exército, ato que garantiu a medalha a Bolsonaro ocorreu em 1978, quando o então militar da ativa impediu que um soldado da 2ª Bateria de Obuses do 21º Grupo de Artilharia de Campanha se afogasse durante uma atividade militar. Bolsonaro é capitão reformado do Exército.

Bolsonaro afirmou, em entrevista após o evento, que requisitou a medalha na época em que se "avolumaram" as acusações contra ele por racismo.

Bolsonaro, deputado federal pelo Rio, chegou a ser denunciado ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo crime de racismo, por falas suas numa palestra em que se referiu a quilombolas de forma discriminatória, segundo a acusação da PGR (Procuradoria-Geral da República). O STF não recebeu a denúncia e arquivou o processo.

O soldado salvo do afogamento por Bolsonaro, Celso Luiz, 59, é um homem negro.

"Esse fato ocorreu há 40 anos. Em 1978, eu era aspirante do Exército brasileiro e num exercício em Gericinó [bairro do Rio] um soldado desapareceu na lagoa. Eu era atleta das forças armadas, era um bom nadador inclusive. Eu consegui achar o soldado e resgatá-lo", disse.

"Nós requeremos essa medalha quando começou a avolumar acusações que eu seria racista e o soldado Celso, todo mundo vê é um afrodescendente e fui atrás dele e arrisquei minha vida dessa mesma forma. É um ser humano, um soldado do Exército brasileiro, e nos princípios forjados na Academia Militar das Agulhas Negras, por instinto até, nós arriscamos nossa vida para salvar a vida de um colega nosso", afirmou Bolsonaro.

A Medalha do Pacificador com Palma pode ser requerida por militares que julguem ter praticado feitos dignos da honraria. O pedido é analisado pelo comando do Exército e, se aceito, a medalha é concedida.

A entrega da Medalha do Pacificador tradicionalmente é feita em cerimônia realizada no Dia do Soldado, comemorado em 25 de agosto. Mas, segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, a entrega da honraria também pode ser feita fora da data -- o que ocorreu hoje.

Enquanto a Medalha do Pacificador pode ser atribuída a militares e civis, brasileiros ou estrangeiros, que tenham a atuação reconhecida pelo Exército, a Medalha do Pacificador com Palma é reservada aos militares que em tempos de paz se distinguiram por seus atos pessoais.