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Ex-assessor de Flávio Bolsonaro tem doença grave, diz MP do Rio

Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz - Reprodução
Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz Imagem: Reprodução

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

27/12/2018 19h00

Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e autor de transações financeiras atípicas, tem uma doença grave e será obrigado a passar por uma cirurgia em caráter de urgência, segundo relatou nesta quinta-feira (27) o Ministério Público do estado.

O ex-funcionário do filho mais velho de Jair Bolsonaro (PSL) é investigado pelo órgão devido a saques e depósitos que somam R$ 1,2 milhão no período de um ano --as transações foram mapeadas em relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Em entrevista ao SBT, na quarta (26), Queiroz falou pela primeira vez desde que o caso veio à tona em 6 de dezembro. Ele se disse um "cara de negócios" e declarou que o volume de dinheiro vem da compra a venda de carros.

Na versão do Ministério Público, os advogados do ex-assessor apresentaram "atestados que comprovam grave enfermidade do investigado", o que o levará a passar por procedimento cirúrgico emergencial.

"Os advogados informaram ainda que Queiroz estará à disposição para prestar depoimento tão logo tenha autorização médica", informou o MP, em nota.

Queiroz faltou a duas convocações para depor feitas pelo MP, alegando problemas de saúde. Na entrevista ao SBT, o ex-funcionário de Flávio Bolsonaro afirmou ter um câncer no intestino. Reafirmou interesse, no entanto, de prestar esclarecimentos.

A investigação, conduzida pelo Gaocrim (Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal), órgão ligado diretamente à Procuradoria-Geral de Justiça, não será afetada pela recuperação de Queiroz, segundo explicou o órgão. Entre as diligências esperadas está o possível depoimento de Flávio Bolsonaro, sugerido para o dia 10 de janeiro. O senador eleito ainda não confirmou se comparecerá ou não.

Onyx se cala

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), negou-se nesta quinta-feira (27) a comentar as declarações de Fabrício Queiroz na entrevista ao SBT.

O ex-assessor afirmou que atua com compra e revenda de carros, o que, em tese, justificaria o grande volume de transações financeiras identificadas pelo Coaf.

Além de ser policial militar no Rio, ele trabalhava como chefe da segurança do então deputado estadual Flávio Bolsonaro e era lotado em seu gabinete como assessor parlamentar no mesmo período em que alega ter sido um "cara de negócios".

"Eu sou um cara de negócios, eu faço dinheiro, compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro, sempre fui assim, gosto muito de comprar carro de seguradora, na minha época lá atrás, compra um carrinho, mandava arrumar, revendia, tenho uma segurança."

A comunicação do Coaf não significa que haja alguma irregularidade na transação, mas mostra que os valores movimentados, ou o tipo de transação envolvida, não seguiram o padrão esperado para aquele tipo de cliente.

Segundo o advogado de Queiroz, Paulo Klein, o ex-assessor "recebeu aproximadamente R$ 600 mil ao longo do ano".

"Esse movimento de depósito e saque fez com que dobrasse esse valor", disse Klein ao SBT. "Se você tirar uma fotografia disso, realmente dá um valor muito alto. Mas quando você vai olhar o filme, você percebe que não faz sentido."

Questionado sobre o assunto, Onyx respondeu apenas que "não lhe cabe falar sobre isso".

"Amigo, eu não vou falar sobre isso. (...) Eu estou aqui nesse momento tentando mostrar ao Brasil o fruto desses dois meses de trabalho que tivemos aqui e a preocupação que temos de fazer o Brasil dar certo", disse ele após participar de uma reunião em Brasília com futuros integrantes do primeiro escalão do governo Bolsonaro. O encontro ocorreu no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede do gabinete de transição.

Queiroz fala pela 1ª vez sobre movimentação suspeita

SBT Online

O futuro ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, também não quis comentar a entrevista.

"Isso aí não é um assunto de governo, apesar de ter o sobrenome, a pessoa ser filha do presidente, sempre tem um reflexo, mas não é assunto de governo. É assunto de parlamentar", afirmou Santos Cruz, ao chegar na sede de transição do governo no CCBB. Ele disse ainda que não vai se "preocupar com aquilo que não é essencial no momento".

Essa foi a segunda reunião do dia com os ministros e secretários que ocupam o núcleo duro do governo Bolsonaro. Pela manhã, eles participaram de uma capacitação na área de governança pública, na Enap (Escola Nacional de Administração Pública), em Brasília.

Onyx afirmou à imprensa que a entrevista de Queiroz esteve alheia à pauta das reuniões. "Não conversamos sobre esse assunto nem de manhã e nem à tarde."

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