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Onyx condiciona votos na eleição da Câmara a base de apoio a Bolsonaro

Futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM)  - Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM) Imagem: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

28/12/2018 13h58

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), condicionou o apoio do governo de Jair Bolsonaro (PSL) na eleição para a Presidência da Câmara à criação de um bloco parlamentar que ofereça "sustentabilidade" e garanta a aprovação das pautas que serão enviadas ao Congresso a partir de 1º de janeiro de 2019.

Onyx reuniu-se nesta sexta-feira (28) com o presidente do PRB, Marcos Pereira, e o candidato do partido à chefia da Casa, João Campos (GO), no gabinete de transição, em Brasília. Também participaram do encontro os deputados Leonardo Quintão (MDB-MG), aliado do futuro ministro da Casa Civil e membro da frente evangélica, e delegado Waldir, líder do PSL.

A intenção do alto escalão do governo Bolsonaro é garantir a formação de uma base de sustentação antes de definir quem apoiará na eleição da Câmara, segundo explicou delegado Waldir. Todos os nomes já lançados estão sendo estudados e, de acordo com a orientação de Onyx, a escolha se dará por aquele que melhor se adequar à "pauta econômica" e à "pauta conservadora".

O bloco que está sendo articulado por Onyx teria membros das frentes evangélicas e da segurança pública, além de parlamentares de outros nichos temáticos. Segundo maior partido com representação na Casa, o PSL --que optou por ficar fora da disputa-- entraria com 53 votos.

Um dos que pleiteiam o apoio do governo é João Campos, pastor evangélico que conta com a simpatia pública de Jair Bolsonaro. Ao deixar o gabinete de transição nesta sexta, ele fez o seguinte resumo da conversa com o futuro ministro da Casa Civil: "O Onyx nos disse que está buscando criar um bloco, independentemente de candidato à Presidência, que garanta a governabilidade, já que o governo terá muitas matérias importantes a serem encaminhadas ao Congresso e precisa de uma base de sustentação para que essas matérias se concretizem e viabilizem".

Questionado se o fato de Onyx costurar a formação de um bloco antes de definir o apoio seria uma "condição" determinada pelo novo governo, Campos respondeu que "isso pode até ser uma consequência". "Mas daí dizer que ele estabeleceu uma condição? Não procede".

"Ele não estabeleceu nenhuma condição. Ele me disse que está convidando partidos aqui e dizendo dessa disposição de criar uma base de governabilidade, sem discutir presidência. Isso é uma outra abordagem."

Campos não foi o primeiro nome lançado à disputa na Câmara a conversar com a cúpula do governo Bolsonaro. O atual presidente da Casa e concorrente à reeleição, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Fábio Ramalho (MDB-MG) também já participaram de reuniões.

O pleiteante do PRB afirmou que iniciou conversas não só com a equipe de Bolsonaro. "Essa caminhada é um processo. É um processo onde todo dia você termina conversando com quase todo mundo. Com líderes de partidos, com presidentes de partidos, com deputados do varejo... Essa é uma tarefa que vai acontecer até dia 1º [de fevereiro], que é o dia da eleição. Hoje já tive várias conversas fora daqui e também vim aqui conversar. Você conversa com a articulação política do governo, com partido de oposição, com partidos que estão tentando formar um outro bloco. Senão você se isola e não consegue avançar", disse Marcos Pereira. 
 

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