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Faremos as reformas que o mundo espera de nós, diz Bolsonaro em Davos

Luciana Amaral e Mirthyani Bezerra

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

22/01/2019 12h42Atualizada em 28/01/2019 03h34

Na abertura do Fórum Econômico Mundial, nesta terça-feira (22), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que seu governo fará as reformas que "o mundo espera" do Brasil, vendendo a promessa de que o país se torne mais atrativo para investimentos estrangeiros.

O presidente não citou nominalmente a reforma da Previdência, mas falou em reduzir a carga tributária. Outros pontos destacados por Bolsonaro foram meio ambiente e combate à corrupção. Apesar de ter 45 minutos reservados para a sua fala, o discurso de Bolsonaro durou seis minutos e meio, com mais alguns minutos dedicados a perguntas e respostas.

Criticado no Brasil pela escolha dos ministros encarregados das duas pastas (Meio Ambiente e Agricultura), Bolsonaro afirmou que Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente e que a missão do governo dele será compatibilizar a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o "necessário desenvolvimento econômico". 

"Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco", disse Bolsonaro. 

Bolsonaro em Davos: Queremos fazer reformas e tirar viés ideológico dos negócios

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Bolsonaro disse ser a "primeira vez no Brasil" que um presidente monta uma equipe de ministros qualificados. "Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção, gozamos de credibilidade para fazer as reformas que precisamos e que o mundo espera de nós", disse o presidente.

O presidente citou o ex-juiz federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, que ficou conhecido internacionalmente pela sua atuação na operação Lava Jato, afirmando que ele é "o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro". Ele também prometeu que o Brasil irá investir em segurança "para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo".

Mais tarde, ao ser questionado sobre seus planos para o combate à corrupção, Bolsonaro disse que Moro tem todos os meios para "seguir o dinheiro" no combate à corrupção e ao crime organizado. Outros planos para ajudar o setor, disse, são mudanças e aperfeiçoamento da legislação. 

Em seguida, falou que precisará do apoio do Congresso Nacional para avançar no tema.

"Confiamos que grande parte do mesmo [o Congresso] nos dará respaldo na busca do combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. Dessa forma, o Brasil será visto de forma diferente aqui fora", complementou.

Sobre medidas contra a corrupção, Bolsonaro responde com elogio a Sergio Moro em Davos

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Meio ambiente

Após ter se posicionado algumas vezes de maneira contrária a ambientalistas, Bolsonaro fez um discurso com ênfase na defesa do meio ambiente.

Em seguida, o presidente respondeu a perguntas feitas pelo fundador do fórum, Klaus Schwab, que mediou a sessão plenária. Uma delas foi justamente sobre as intenções do governo brasileiro para promover a sustentabilidade.

Meio ambiente tem que estar casado com desenvolvimento

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Bolsonaro disse que o Brasil estará sintonizado com o mundo sobre a busca da preservação do meio ambiente e ressaltou que o desenvolvimento tem de ser sustentável, sem deixar de reforçar que o Brasil dá um bom exemplo para o mundo quanto a áreas de natureza preservadas.

"O meio ambiente tem que estar casado com o desenvolvimento. Nem para um lado, nem para outro. Nós temos o agronegócio, que é de conhecimento de todos, então a parte da agricultura ocupa menos de 9% do território nacional. A pecuária, aproximadamente 25%. Hoje, 30% do Brasil são florestas. Então, nós damos, sim, exemplo para o mundo. O que pudermos aperfeiçoar, nós o faremos. E nós pretendemos estar sintonizados com o mundo na busca da diminuição de CO2 e na preservação do meio ambiente", declarou.

Economia: privatizações e reforma tributária

Exaltando a atuação do seu ministro da Economia, Paulo Guedes, Bolsonaro prometeu colocar o Brasil no ranking dos 50 melhores países para fazer negócios em até quatro anos. 

Sem dar detalhes como fará isso, prometeu aos investidores e chefes de Estado presentes no Fórum Mundial Econômico que seu governo privatizará estatais e abrirá ainda mais o mercado brasileiro para o comércio internacional, afirmando que a economia brasileira é "relativamente fechada" ao comércio exterior. "Mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste governo [...]. Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia", afirmou. 

Visando investimentos estrangeiros, Bolsonaro afirmou que diminuirá a carga tributária e simplificará as normas, "facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos". 

Entre o discurso e as respostas aos questionamentos de Schwab, Bolsonaro fez outra breve explanação e aproveitou a oportunidade para vender novamente o Brasil como um país aberto a investimentos estrangeiros.

O presidente iniciou afirmando, especificamente, sobre a necessidade de se aprovar reformas para "diminuir o tamanho do Estado", como as da Previdência Social e a tributária. Segundo ele, é preciso "tirar o peso do Estado em cima de quem produz, de quem empreende".

Ele ressaltou que o governo vai "tirar o viés ideológico" nos acordos comerciais e nas relações exteriores, com disposição a negociar com países que comungam com práticas semelhantes à do Brasil.

"Em suma, nós representamos, no momento, para o povo brasileiro, um ponto de inflexão onde, repito, a questão ideológica ficará de fora disso tudo. Dessa forma, entendemos que temos muito a oferecer aos senhores e gostaríamos, e muito, de fazer parcerias para o bem-estar dos nossos povos", afirmou.

Outro tema abordado na segunda fala do presidente, de forma pontual, foi a necessidade de mais investimentos em educação. Ele reconheceu que o sistema educacional brasileiro ainda não é eficiente como deveria.

Democracia e "verdadeiros direitos humanos"

Bolsonaro terminou seu discurso no mais importante fórum econômico do mundo, que conta com mandatários de diversas nações com diferentes religiões, proferindo o lema da sua campanha eleitoral: "Deus acima de tudo". Disse que seu governo irá defender a "família e os verdadeiros direitos humanos" e quer "um mundo de paz, liberdade e democracia".

"Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos; proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria", afirmou em suas conclusões finais.

"Não queremos uma América bolivariana"

A última pergunta direcionada a Bolsonaro por Schwab foi sobre como o presidente brasileiro pretende integrar o país no contexto latino-americano e quais os planos de regionalização prioritários.

Bolsonaro abriu a resposta dizendo ter conversado com vários líderes regionais e todos querem que o Brasil "vá bem". Quanto ao Mercosul (Mercado Comum do Sul), disse que "alguma coisa deve ser aperfeiçoada", sem dar mais detalhes.

"Nós estamos preocupados, sim, em fazer uma América do Sul grande, que cada país, obviamente, mantenha sua hegemonia local. Não queremos uma América bolivariana como há pouco existia no Brasil em governos anteriores", afirmou.

O presidente disse que essa "forma de agir" está contagiando de forma positiva os demais países do continente e lembrou que a tendência na região é de haver, cada vez mais, governos de direita e centro-direita.

"Creio que isso seja uma resposta que a esquerda não prevalecerá nessa região. O que é muito bom, ao meu entender, não só para a América do Sul bem como para o mundo", falou.

Bolsonaro ficará em Davos até quinta-feira (24), quando retorna ao Brasil. Na segunda que vem (28), ele será submetido a uma cirurgia para retirada da bolsa de colostomia que usa desde que foi esfaqueado durante um ato de campanha eleitoral, em setembro do ano passado.

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