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Caso Coaf: promotor curtiu Bolsonaros em rede social e comentou relatório

Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz - Reprodução
Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz Imagem: Reprodução

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

05/02/2019 16h51

O promotor do Ministério Público do Rio de Janeiro Claudio Calo, designado nesta semana para investigar o caso do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, interage com frequência com o clã Bolsonaro no Twitter. Após ser nomeado o promotor responsável pelo inquérito desencadeado por relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que identificou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 em conta de Queiroz, usuários da rede social cobraram imparcialidade de Calo.

O UOL entrou em contato com o gabinete do promotor na tarde desta terça-feira (5). A reportagem foi informada que Calo está "analisando os autos" do caso e que, portanto, não iria se manifestar hoje.

Em 6 de dezembro, o integrante da 24ª Promotoria de Investigação Penal se manifestou sobre o documento do Coaf que trouxe à tona a movimentação suspeita na conta de Queiroz. Na ocasião, Calo declarou na rede social que o "relatório do COAF demonstra movimentações financeiras não necessariamente criminosas, mas anômalas, que podem configurar crime ou não".

Em postagem posterior, Calo defendeu a atuação do conselho. Em 27 de janeiro, o promotor afirmou que o "COAF sinaliza movimentações financeiras suspeitas e, dependendo do caso, o MP requer JUDICIALMENTE quebra de sigilo bancário e até fiscal. Trabalho do COAF é importante, competente e legal, pois está de acordo com a lei de lavagem de capital (Lei 9.613)".

Na interação mais recente, Calo compartilhou postagem do vereador Carlos Bolsonaro (PSL) que comparou a viagem do pai dele, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, com a da comitiva da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) --segundo Carlos, a viagem de Bolsonaro levou menos integrantes e foi mais econômica. 

O promotor também interagiu com Flávio nas redes sociais. Em junho de 2017, Calo respondeu ao senador, que comentava decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) negando a cassação da chapa presidencial de Dilma e de Michel Temer (MDB), então presidente da República após o impeachment.

"Os caras usam milhões de propina para ganharem a eleição e o TSE diz "OK"! Golaço de mão do PT/PMDB validado pelo juiz!", escreveu o filho mais velho de Bolsonaro. Em resposta, Calo disse: "Se vc esta usando linguagem de futebol, penso que mais pertinente: "vitoria no tapetao" ou "virada de mesa" [sic]".

O promotor também curtiu postagens de Jair Bolsonaro no Twitter. Numa delas, no mês passado, o presidente reproduz um vídeo alegando que um homem detido teria se machucado propositalmente para influenciar a audiência de custódia e argumentar que os direitos humanos foram desrespeitados, o que, segundo presidente, criaria um "ciclo de impunidade".

Em outra, publicada em novembro, logo após as eleições e antes da posse presidencial, Bolsonaro diz que as instituições de ensino "foram tomadas por ideologias nocivas e inversão de valores, pessoas que odeiam nossas cores e hino".

Após Calo ser designado para investigar o caso que envolve Flávio e seu motorista enquanto ele era deputado estadual no Rio de Janeiro, internautas criticaram e cobraram o promotor diretamente nas redes sociais. "Está com o processo do Queiroz. Não vai passar pano porque estamos de olho", disse um deles. "É lindo falar de coerência em rede social, e é o mínimo que esperamos do senhor no caso Queiroz/Bolsonaro", afirmou outra.

Suspensão e reabertura de investigação

Em janeiro, Flávio recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) para definição do foro em que o caso seria tratado --o parlamentar se elegeu senador pelo Rio nas eleições de outubro. Em caráter liminar (temporário), o ministro Luiz Fux suspendeu as investigações do MP-RJ sobre as movimentações suspeitas efetuadas na conta corrente de Queiroz. Na última sexta-feira (1º), contudo, o ministro Marco Aurélio Mello voltou do recesso do Tribunal e determinou o retorno do inquérito para o Ministério Público do Rio.

Tanto Queiroz quanto Flávio não compareceram aos depoimentos marcados pelo MP do Rio --o parlamentar foi convidado. O filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) --Flávio já definiu a versão do ex-assessor como plausível e, mais tarde, afirmou que quem devia explicações sobre o relatório era Queiroz-- justificou que buscava acesso aos autos antes de depor, mas, logo em seguida, entrou com o recurso no STF.

Queiroz disse, em entrevista ao "SBT" em dezembro, que a movimentação se relacionava à compra e venda de carros. "Eu sou um cara de negócios. Eu compro e revendo. Compro e vendo carros. Gosto de comprar carros de seguradoras, mando arrumar e vendo", disse ele.

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