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Ex-deputado que quis "rebaixar" padroeira do Brasil ganha cargo no governo

Nilson Bastian/Câmara dos Deputados - 16.abr.2016
Imagem: Nilson Bastian/Câmara dos Deputados - 16.abr.2016

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

2019-02-20T04:00:00

2019-02-19T17:19:45

20/02/2019 04h00

O ex-deputado federal Victório Galli Filho (PSL-MT), autor de um projeto que extinguia o título de Padroeira do Brasil dado a Nossa Senhora Aparecida, foi nomeado hoje para atuar como assessor especial da Presidência da República. No novo cargo, Galli Filho, que foi pastor evangélico, vai receber R$ 16,9 mil por mês. 

Galli Filho foi eleito deputado federal em 2014, mas não conseguiu a reeleição em 2018, obtendo 52,9 mil votos. Antes de 2014, porém, ele chegou a assumir o mandato de deputado federal por duas vezes atuando como suplente. 

Foi em 2007 que ele apresentou o projeto que alterava a lei que instituiu Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. O texto proposto por Galli Filho tirava da santa a condição de padroeira do país e a colocava como "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".

À época, Galli Filho disse que a proposta deveria ser considerada útil "para a promoção da igualdade entre os cristãos brasileiros, sem privilégios à maioria de orientação cristã" e que o projeto havia sido sugerido por pessoas que não eram católicas. 

Polêmico, o projeto foi arquivado em 2008 na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

Galli Filho deverá ter bom trânsito com bancada religiosa

Outro projeto polêmico apresentado pelo agora assessor especial da Presidência na Câmara dos Deputados chegou à Casa em 2012, quando ele ainda era suplente. 

Galli Filho propôs um projeto que alterava o código penal e impedia pessoas que, por crença religiosa, fizessem comentários considerados ofensivos a uma determinada orientação sexual não poderiam ser processados por injúria ou difamação.

O projeto tocava em um dos pontos mais polêmicos das ações que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) que discutem a criminalização da homofobia. Líderes religiosos contrários ao projeto afirmavam que a criminalização da homofobia poderia ferir a liberdade de crença.

A posição do governo, expressada pela atuação da AGU (Advocacia-Geral da União), é contrária a ação que tramita no Supremo.

O projeto de Galli Filho avançou pouco na Câmara e, no início deste ano, foi arquivado. 

Apesar do arquivamento do projeto, a proposta de Galli Filho é um indicador do seu perfil como parlamentar e do grupo formado pelo governo. Antes de entrar na política, percorreu o caminho comum à maior parte dos integrantes da bancada evangélica do Congresso Nacional. Foi pastor (da Igreja Assembleia de Deus) e professor de teologia. 

 Como ex-integrante da bancada evangélica, Galli filho deverá ter bom trânsito junto à chamada "bancada da Bíblia", uma das mais influentes no governo Bolsonaro e considerada fundamental para a aprovação tanto dos projetos relacionados às pautas econômicas quanto daqueles da chamada pauta "comportamental".

Até a última atualização desta matéria, a reportagem não havia conseguido localizar o ex-deputado. Procurados, Planalto e Casa Civil não se manifestaram.

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