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PT e PSL apoiam investigação de disparo ilegal de mensagens e negam delito

Revelações sobre disparos irregulares de mensagens no 2º turno originaram investigação - Arte/UOL
Revelações sobre disparos irregulares de mensagens no 2º turno originaram investigação Imagem: Arte/UOL

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

01/03/2019 04h01

PSL e PT apoiaram a investigação sobre possíveis políticos "laranjas" terem feito envio em massa de notícias falsas nas eleições usando redes sociais. Como mostrou o UOL, a Justiça Eleitoral de Brasília autorizou a Polícia Federal a requisitar a empresas como Facebook e WhatsApp os nomes e contratos de todos os políticos, partidos e coligações que compraram serviços durante a campanha de 2018. A medida servirá para avaliar se Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) foram beneficiados por esquema que fere a lei.

Advogado do PT, Eugênio Aragão disse que a linha de investigação é "pertinente". "O impulsionamento industrial de fake news seguramente não foi barato", disse ele ao UOL. "É preciso ir atrás para saber como foi financiado."

A defesa da campanha de Jair Bolsonaro disse que, se houve contratação de terceiros para campanha negativa, não foi com o conhecimento do presidente da República. "A defesa incentiva uma investigação profunda, até mesmo para esclarecer os fatos, já que não houve contratação de disparos em massa para campanha negativa por parte do presidente eleito, do PSL ou de terceiros", disse Karina Kufa ao UOL.

Aragão disse que "não é crível" que a campanha de Bolsonaro tenha gasto apenas cerca de R$ 1 milhão. Ele diz que não importa se o presidente da República sabia ou não que terceiros cometiam crime eleitoral. O relevante seria avaliar se a ação de distribuição de boatos prejudicou Haddad em benefício do político do PSL.

O advogado desconversou quando foi questionado se o mesmo raciocínio poderia ser usado em relação a envios em massa de mensagens para ajudar Haddad sem que o petista soubesse disso. "Do nosso conhecimento, não [houve impulsionamento]", afirmou Aragão.

Promotoria quer dados referentes à pré-campanha

A juíza eleitoral de Brasília Geilza Diniz autorizou medidas de investigação solicitadas pelo Ministério Público. O período a ser investigado inclui a pré-campanha e vai de julho a outubro de 2018. No caso de WhatsApp e Telegram, deverão ser fornecidos os dados cadastrais dos investigados.

Mais de 20 depoimentos devem ser tomados nas próximas semanas, como o do dono das lojas Havan, Luciano Hang, um dos investigados. Ele deve depor em Itajaí (SC). Seus advogados e assessores não prestaram esclarecimentos ao UOL até o fechamento desta reportagem.

A assessoria da AM4, empresa de comunicação digital contratada pela campanha de Bolsonaro diz que está à disposição das autoridades, mas até agora seus representantes não prestaram nenhum depoimento e nem foram intimados.

Outras empresas investigadas não prestaram esclarecimentos: Yacows, Quick Mobile, Croc Services e SMS Market.

O Facebook disse que até o momento não foi intimado a prestar informações.

O Twitter se limitou a dizer que "está sempre à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos". A reportagem não obteve esclarecimentos de WhatsApp, Instagram,  Telegram e Google, o dono do YouTube.

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