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Veja o que dizem as defesas dos suspeitos na operação que prendeu Temer

O ex-presidente Michel Temer nas instalações da Polícia Federal no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters
O ex-presidente Michel Temer nas instalações da Polícia Federal no Rio de Janeiro Imagem: Ricardo Moraes/Reuters

Do UOL, em São Paulo

21/03/2019 21h24Atualizada em 22/03/2019 04h11

O ex-presidente Michel Temer e outros nove suspeitos foram presos na manhã de hoje numa operação da Lava Jato. O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, e o ex-presidente foi preso sob suspeita de ter recebido propina de R$ 1,1 milhão por meio de um contrato da Eletronuclear, estatal responsável pela construção da usina Angra 3.

Entre outros crimes, Temer é acusado de lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa e corrupção passiva.

Além de Temer, também foram presos preventivamente o ex-ministro Moreira Franco e o ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, amigo do ex-presidente e conhecido como coronel Lima.

Maria Rita Fratezi, mulher do Coronel Lima; Carlos Alberto Costa e Carlos Alberto Costa Filho, sócios da empresa Argeplan; Vanderlei De Natale, dono da empreiteira Construbase; e Carlos Alberto Montenegro Gallo, dono da CG Consultoria.

Rodrigo Castro Alves Neves, sócio da empresa de engenharia e serviços EPS, e Carlos Jorge Zimmermann, administrador da consultoria AF Consult, tiveram mandados de prisão temporária expedidos.

Veja o que dizem as defesas dos suspeitos:

Michel Temer - "A prisão do ex-presidente Michel Temer, que se deu hoje, constitui mais um, e dos mais graves!, atentados ao Estado Democrático e de Direito no Brasil.
Os fatos objeto da investigação foram relatados por delator, e remontam ao longínquo 1° semestre de 2014. Dos termos da própria decisão que determinou a prisão, extrai-se a inexistência de nenhum elemento de prova comprobatório da palavra do delator, sendo certo que este próprio nada apresentou que pudesse autorizar a ingerência de Temer naqueles fatos.

Aliás, tais fatos são também objeto de requerimento feito pela Procuradora-Geral da República ao STF, e o deferimento dele pelo Ministro Roberto Barroso, para determinar instauração de inquérito para apurá-los, é objeto de agravo interposto pela Defesa, o qual ainda não foi julgado pelo Supremo.

Resta evidente a total falta de fundamento para a prisão decretada, a qual serve apenas à exibição do ex-presidente como troféu aos que, a pretexto de combater a corrupção, escarnecem das regras básicas inscritas na Constituição da República e na legislação ordinária. O Poder Judiciário, contudo, por suas instâncias recursais, haverá de, novamente, rechaçar tamanho acinte", escreveu o advogado Eduardo Pizarro Camelós.

Coronel Lima - "O advogado Maurício Silva Leite, defensor de João Baptista Lima Filho, declarou estar perplexo com a prisão decretada. Segundo o advogado, "a própria Procuradoria-Geral da República manifestou-se em relação aos mesmos fatos e concluiu que não havia elementos para a prisão do meu cliente. Surpreendentemente, 2 meses depois, contrariando o entendimento da PGR, a prisão é decretada pela 1ª instância, sem a existência de nenhum fato novo".

Vanderlei De Natale - "Após a surpreendente decretação da prisão de Vanderlei De Natale, seu advogado Fernando José da Costa vem a público afirmar que se trata de uma prisão ilegal, que não vincula Vanderlei aos fatos apurados no Rio de Janeiro. Sua empresa está sediada em São Paulo e jamais prestou serviços para a Eletronuclear, objeto da presente investigação.", disse Fernando José da Costa, advogado de Natale.

Moreira Franco - "A defesa de Wellington Moreira Franco vem manifestar inconformidade com o decreto de prisão cautelar. Afinal, ele encontra-se em lugar sabido, manifestou estar à disposição nas investigações em curso, prestou depoimentos e se defendeu por escrito quando necessário. Causa estranheza o decreto de prisão vir de juiz de direito cuja competência não se encontra ainda firmada, em procedimento desconhecido até aqui.", diz nota do escritório Moraes Pitombo Advogados.

O UOL tentou contato com as defesas dos outros suspeitos, mas não obteve retorno.

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