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Governo federal suspende vistorias rurais e emperra reforma agrária no país

15.abr.2016 -  Integrantes do MST protestam em defesa da reforma agrária na altura do quilômetro 77 da BR- 101, nas proximidades do Povoado Pedra Branca, em Sergipe - Antonio Carlos Garcia/Estadão Conteúdo
15.abr.2016 - Integrantes do MST protestam em defesa da reforma agrária na altura do quilômetro 77 da BR- 101, nas proximidades do Povoado Pedra Branca, em Sergipe Imagem: Antonio Carlos Garcia/Estadão Conteúdo

Por Daniel Camargos e Ana Magalhães

Da Repórter Brasil

28/03/2019 14h25

Pela segunda vez neste ano, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) suspendeu a reforma agrária por tempo indeterminado no Brasil. Uma ordem do general João Carlos de Jesus Corrêa enviada nesta quarta-feira (27) para os superintendentes regionais do instituto determina a "expressa suspensão" das vistorias nos imóveis rurais.

Sem as vistorias não é possível desapropriar os imóveis e, consequentemente, criar novos assentamentos. A primeira tentativa do governo do presidente Jair Bolsonaro de paralisar a reforma agrária aconteceu três dias após a posse, conforme revelou a Repórter Brasil. Com a repercussão negativa, o governo recuou.

O memorando enviado ontem pelo general Corrêa argumenta que a suspensão das vistorias em imóveis rurais deve-se à redução orçamentária prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019, "evitando-se a expectativa de compromissos que não poderão ser cumpridos", justifica no documento. A suspensão afeta de forma imediata pelo menos 250 processos de aquisição de terras para assentamentos rurais, segundo informações do instituto.

Entre 2018 e 2019, o orçamento destinado à aquisição de imóveis rurais para a reforma agrária reduziu 50%, saindo de R$ 83,7 milhões para R$ 42 milhões. Em 2015, o valor destinado a aquisição de imóveis era de R$ 800 milhões.

Segundo o Incra, nenhum assentamento foi criado e nenhum imóvel desapropriado nos dois primeiros meses do governo Bolsonaro. O instituto tem atuado apenas na segunda etapa da reforma agrária, que é a legalização de terras já desapropriadas e emissão de títulos definitivos de posse da terra. Em janeiro e fevereiro, foram emitidos 105 títulos de posse e 2.587 contratos de concessão de uso da terra.

Para os funcionários do Incra ouvidos pela Repórter Brasil, que não se identificam pois temem retaliações, a estratégia significa o fim da reforma agrária, pois não transfere a propriedade de terras improdutivas para as famílias sem-terra.

Procurado, o Incra não respondeu até a publicação desta reportagem, que será atualizada em caso de manifestação.

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