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Assessora diz que atuou em casa suspeita de enviar fake news pró-Bolsonaro

Presidente da República, Jair Bolsonaro durante reunião da Comissão de Ética Pública - Isac Nóbrega/PR
Presidente da República, Jair Bolsonaro durante reunião da Comissão de Ética Pública Imagem: Isac Nóbrega/PR

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

15/08/2019 17h53Atualizada em 15/08/2019 19h21

Rebecca Félix da Silva Ribeiro Alves, assessora que desde janeiro deste ano trabalha na Presidência, afirmou ontem em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trabalhou durante a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) na casa do empresário Paulo Marinho, no Rio.

Ontem, à GloboNews, Marinho afirmou que de sua casa eram retransmitidas informações falsas produzidas por voluntários.

No depoimento ao TSE ao qual o UOL teve acesso, Rebecca afirmou que prestou serviços no diretório do PSL em Brasília e em dois locais no Rio de Janeiro: na sede da empresa AM4 e na casa de Paulo Marinho.

Rebecca disse que era coordenadora de mídia e produzia conteúdo publicitário para a campanha. Mas ela afirmou que não era responsável por distribuir esses conteúdos.

Ela afirmou que não sabia de contratação de empresas terceirizadas para distribuição de envios em massa de mensagens pelo Whatsapp e outros aplicativos. No entanto, ressaltou que, se isso foi feito, a contratação não passaria por ela.

Rebecca prestou depoimento na condição de testemunha do presidente Jair Bolsonaro. Advogados do PT pediram a suspeição dela, mas o juiz Fernando Schenkel negou a solicitação. No depoimento, ela disse que, apesar de trabalhar no Planalto, não tinha medo de perder seu emprego e se comprometeu a falar a verdade.

Ela ocupa um cargo de Direção e Assessoramento Superior (DAS) com salário de R$ 10 mil por mês.

Empresário montou "QG de campanha"

O empresário Marinho, que apoiou a campanha de Bolsonaro e é suplente do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, afirmou ontem que as informações falsas eram feitas fora da casa por voluntários, e de que sua casa era feita a retransmissão desses conteúdos.

À época, o Whatsapp não limitava o envio de textos. Hoje, só podem ser feitos envios para, no máximo, cinco destinatários.

"Fake news a gente também mandava, como chegava a gente saía, como tem hoje", admitiu Marinho na entrevista à jornalista Andrea Sadi.

Outra funcionária foi nomeada

Em janeiro, reportagem do UOL mostrou que outra funcionária ligada à AM4, contratada pelo PSL para a campanha de Bolsonaro, havia ganhado um cargo comissionado na Secretaria-Geral da Presidência em janeiro.

A funcionária era Taíse Feijó. O nome dela aparecia no cadastro do sistema de disparo de mensagens da Yacows, umas empresas investigadas na ação do TSE.

O UOL também revelou que tanto o PT como a campanha de Bolsonaro, que inicialmente havia negado o uso do WhatsApp durante o período eleitoral, haviam usado o mesmo sistema de disparo em massa de mensagens.

O portal ainda mostrou, em 26 de outubro, que registros de mensagens enviadas pela campanha de Bolsonaro foram apagados horas após reportagem da Folha informar que empresários bancaram mensagens de WhatsApp contra o PT.

*Colaborou Flavio Moreira, do UOL em São Paulo

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