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Policiais federais criticam Bolsonaro por anúncio de troca na corporação

5.ago.2019 - Jair Bolsonaro participa de inauguração de usina em Sobradinho (BA) - Alan Santos/Presidência da República
5.ago.2019 - Jair Bolsonaro participa de inauguração de usina em Sobradinho (BA) Imagem: Alan Santos/Presidência da República

Constança Rezende

Colaboração para o UOL, em Brasília

15/08/2019 14h28

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, disse que o anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) da troca de comando da superintendência no Rio de Janeiro, na manhã de hoje, caiu mal na corporação. Bolsonaro comunicou que Ricardo Saadi, atual chefe, será substituído por Carlos Henrique Oliveira.

Segundo o policial, a informação deveria ter sido anunciada pelo próprio órgão, de maneira oficial, como manda o protocolo. Para ele, a antecipação da notícia pelo presidente dá margens para a sociedade interpretar como se a medida tivesse sido determinação do presidente.

"Quando a notícia do presidente saiu na imprensa, a nossa preocupação foi com que parecesse que Saadi estava sendo trocado por determinação dele e não foi isso. Pareceu para a sociedade brasileira, imprensa e grande público que estava havendo um atropelo na decisão, mas o atropelo foi na notícia", disse.

O presidente da federação também afirmou que, já que Bolsonaro deu a notícia, pelo menos era para dado a informação completa "para não correr o risco de mais um atropelo, mais uma fala solta ou desproposital".

"Ele deveria dizer : olha, agora que foi me passada essa informação (da troca), e contar tudo, dizer que estava antecipando, e que não era uma determinação ou comando do presidente que pudesse parecer. Seria mais prudente que ele tivesse feito todo o anúncio, dado a informação completa. Com certeza, deste modo, ela não traria tantos reflexos na polícia e fora dela", afirmou.

Questionado sobre como a notícia da troca chegou até o presidente, Boudens disse que policiais próximos ao superintendente Saadi podem ter lhe passado. Segundo o policial, Saadi já tinha manifestado vontade, desde o início do ano, de se mudar para Brasília por acreditar "que poderia contribuir para o país".

"Ele trabalhou por muito tempo no DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça), que é uma área que ele conhece muito bem e é justamente a proposta do atual governo, essa intensificação no combate à corrupção. Até o pacote anticrime tem muito sobre isso", disse.

Como é feito

Segundo o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, o processo do anúncio da troca de comando nas superintendências obedece alguns protocolos internos na corporação -- que foram quebrados hoje por Bolsonaro.

Primeiro, há uma escolha interna. Terminado isso, a própria direção da PF e a superintendência anunciam a medida, através do departamento de Comunicação Social. A notícia circula primeiro internamente, pelo "boletim de serviço". A partir daí, quando a polícia já está sabendo da informação, há um prazo para haja a divulgação para o público externo.

De acordo com Boudens, Saadi não chegou nem a fazer a reunião interna na superintendência do Rio para comunicar a mudança. "Esse é o padrão de despedida e esse anúncio não tinha sido feito", disse.

Ele acrescentou que Bolsonaro só fez este anúncio por se tratar do Rio, estado onde tem casa e proximidade. "Acredito que, se a mudança tivesse sido em Minas, ou na Bahia, ele não teria feito isso", acrescentou.

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