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Delegados temem saída de Valeixo após declarações de Bolsonaro

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Imagem: Reprodução

Eduardo Militão

Do UOL, em Salvador

22/08/2019 12h30

Delegados da Polícia Federal passaram a noite de quarta-feira (22) e quinta-feira (23) debatendo tuíte do presidente Jair Bolsonaro falando em substituição do diretor geral da corporação. O presidente e o vice-presidente da Associação dos Delegados do órgão (ADPF), Edvandir Paiva e Luciano Leiro, falam que há "apreensão" por uma eventual troca do diretor Maurício Valeixo. Sob condição de anonimato, altos integrantes da corporação entendem que há uma disputa entre Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro.

Paiva e Leiro disseram ao UOL que, se isso acontecer neste momento, haverá "crise" na instituição e será demonstrada "intervenção" na corporação. Paiva, que participa de evento de policiais em Salvador para debater o combate à corrupção, disse nesta quinta-feira (23) que não é possível saber exatamente o que Bolsonaro quis dizer ao mencionar que a lei lhe permite trocar o chefe da Polícia Federal.

O tuíte de Jair Bolsonaro foi compartilhado por vários delegados entre ontem e hoje em grupos de mensagens de celular. "Aos setores da imprensa que me acusam de interferir na PF, lembro que, de acordo com a lei 13.047/14, a escolha do Diretor Geral dessa exemplar instituição é de competência exclusiva do Presidente da República", destacou o presidente.

Junto com essa mensagem, os delegados divulgavam texto do chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Augusto Heleno, em rede social falando em "corporativismo" nas críticas a supostas interferências.

Na semana passada, Bolsonaro disse que o chefe da PF no Rio, Ricardo Saadi, seria demitido por problema de "produtividade".

Objetivo é atingir Sérgio Moro, diz cúpula da polícia

Valeixo, que está no evento em Salvador, não quis comentar o assunto. A cúpula da PF, no entanto, entende que a intenção do presidente da República não é atingir o diretor.

O objetivo seria enfraquecer o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que desfruta de maior popularidade que o próprio Bolsonaro mesmo depois da revelação de mensagens mostrando interferência dele na investigação do Ministério Público na Operação Lava Jato.

Hoje, Bolsonaro voltou ao tema. Ele disse que Valeixo é subordinado a ele, e não a Sergio Moro. "Se eu trocar [o diretor-geral da PF] hoje, qual o problema? Está na lei que eu que indico e não o Sergio Moro. E ponto final", declarou ele. "Ele [Valeixo] é subordinado a mim, não ao ministro. Deixo bem claro isso aí. Eu é que indico. Está bem claro na lei."

Ontem, os delegados voltaram a lançar desconfianças sobre a política de combate à corrupção do Palácio do Planalto. Como mostrou o UOL, eles entendem que o veto ao projeto de abuso de autoridade é que vai mostrar se Jair Bolsonaro pode realizar o efetivo combate a corrupção.

O coordenador do Simposio Nacional de Comnate à Corrupção, delegado Rony Silva, declarou que Valeixo é o "nome certo no momento certo" para ficar "por muitos anos" à frente da PF.

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