Topo

Líder do PSL diz que Maia "não se oporia" a vetos ligados à polícia

Momento é um dos mais críticos para Jair Bolsonaro, avalia deputado - Tales Faria/UOL
Momento é um dos mais críticos para Jair Bolsonaro, avalia deputado Imagem: Tales Faria/UOL

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

01/09/2019 16h42

O líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir (GO), afirmou, neste domingo (1º), acreditar que o Congresso vai manter eventuais vetos à lei de abuso de autoridade relacionados às polícias. A confiança vem depois de conversar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e líderes do chamado "Centrão".

A Câmara aprovou a lei e o presidente Jair Bolsonaro deve sancioná-la ou vetá-la este mês.

Policiais, juízes e promotores defendem a derrubada de trechos da lei ou até de sua íntegra. O ministro da Justiça, Sergio Moro, entrou em campo também, pedindo o veto a nove pontos da norma.

Mas há o temor que a Câmara rejeite esse movimento do Planalto. Além disso, um novo revés do Executivo estremeceria a relação do Parlamento com Jair Bolsonaro depois de várias semanas de pacificação, principalmente depois da aprovação da reforma da Previdência.

Waldir contou que conversou, nos últimos dias, com Maia, com o líder da Maioria, o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e o primeiro vice-líder do Bloco que reúne PP, MDB e PTB, Artur Lira (PP-AL). Os dois fazem parte do chamado "Centrão", grupo de parlamentares com poder de decidir votações no Congresso, principalmente na Câmara.

O líder governista teve uma boa impressão das conversas. "Hoje, no parlamento, o Rodrigo Maia, o líder da Maioria também... eles não se oporiam aos vetos em relação a questão das carreiras policiais", contou Waldir ao UOL na tarde deste domingo (1º).

O deputado acredita que o Congresso manteria os vetos se Bolsonaro derrubasse determinados temas na lei de projeto de abuso de autoridade. Exemplos: a restrição ao uso de algemas em suspeitos presos, as filmagens de investigados e a demissão de servidores com duas faltas disciplinares.

Momento é um dos mais críticos para governo, diz líder

Para ele, é importante que a lei seja analisada com atenção pelo Palácio do Planalto. "Dependendo do que o presidente faça, vai criar um pouco de dificuldade no Parlamento", contou Waldir. "É um dos momentos mais críticos de uma decisão do presidente nesse mandato... entre agradar o seu eleitorado e prorrogar o diálogo com o Parlamento."

Segundo Waldir, é importante manter esse bom relacionamento com os congressistas até porque o governo vai precisar da Câmara e do Senado por muitos anos. "Com certeza. São quatro anos de mandato."

O primeiro semestre do governo de Jair Bolsonaro foi marcado por rusgas com o Senado e a Câmara, o que resultou na demora pela aprovação da reforma da Previdência.

Os parlamentares ainda derrubaram decretos presidenciais, como o que tentou aumentar o sigilo de documentos públicos e, por pouco, não acabam com outro relacionado ao uso de armas.

Lei inibiria combate à corrupção, dizem investigadores

No entanto, setores alinhados ao combate à corrupção e à criminalidade, como a bancada da bala e mesmo movimentos sociais e políticos não alinhados a Jair Bolsonaro, veem a lei de abuso de autoridade como uma ameaça. Para eles, trata-se de uma reação à Operação Lava Jato. Essa é a mesma percepção de entidades de classe que reúnem investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público.

Crítico ferrenho de Bolsonaro, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) chegou a bater boca com o senador Roberto Requião (MDB-PR) quando a lei ainda era uma proposta em discussão no Senado.

"Se for aprovado o substitutivo do senador Requião, estão comprometidas as ações futuras da magistratura, do Ministério Público, do próprio futuro de Operações como a Lava Jato, que tem sido um marco no combate à corrupção neste País", disse Randolfe em abril.

Saúde de Bolsonaro preocupa líder

O líder do PSL disse que a saúde de Jair Bolsonaro preocupa. Ele deve fazer uma cirurgia a partir do dia 8 para tirar uma hérnia no abdômen, poucos dias depois de completar um ano que o presidente tomou uma facada durante a campanha eleitoral de 2018.

"É sequela do esfaqueamento", iniciou Waldir. "Ele já não é mais um menino de 18 e 19 anos. Todo cuidado é pouco. Causa-nos preocupação."

No entanto, o estado de saúde de Bolsonaro não deve atrapalhar as votações e mesmo a análise dos vetos do projeto de abuso de autoridade, na avaliação do líder do PSL.

Política