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Dinheiro da Lava Jato deve ser usado para retomar obra de metrô, diz Witzel

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC) - Reprodução
O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC) Imagem: Reprodução

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

12/09/2019 18h16

O dinheiro recuperado pela Operação Lava Jato no Rio deve ser utilizado na possível retomada das obras da estação da Gávea, que integra a linha 4 do metrô, segundo anunciou hoje o governador Wilson Witzel (PSC). Após o MP-RJ (Ministério Público do Rio) ter ajuizado ontem uma ação civil pública para que o governo retome as obras, Witzel disse que pretende fazer um acordo com o órgão. Na semana passada, o governador chegou a anunciar que, em razão dos altos custos, a estação inacabada seria aterrada.

Ainda segundo ele, o pedido para uso dos recursos já foi feito para Bretas, que fez um despacho para a AGU (Advocacia Geral da União) a fim de que esta decida sobre o uso dos recursos. O governador acrescentou que "Bretas disse que não sabe exatamente o valor, mas pode ser de R$ 1 bilhão".

"[Bretas] já despachou o pedido para a AGU. Nós estamos lá em Brasília agora cuidando disso, com o procurador daqui, com o procurador da AGU e eu acredito que, dentro de alguns dias, nós vamos ter uma solução", declarou Witzel.

Witzel explicou que os recursos a serem aplicados na linha 4 dependem da AGU.

"O doutor Marcelo Bretas disse que não sabe exatamente o valor, mas pode ser de R$ 1 bilhão. Mas esse dinheiro não está depositado, é um dinheiro que tem um fluxo de caixa. O que existe hoje, talvez R$ 300 milhões, [iria] metade para a União, metade para o estado. Estamos conversando com a AGU e com os senadores da nossa bancada para, junto à AGU, conseguirmos ter 100% desse valor e dar início imediato a essas obras", disse o governador.

Witzel havia falado em aterrar estação da Gávea

Na semana passada, Witzel declarou que iria aterrar a estrutura escavada na Gávea. No entanto, o MP-RJ (Ministério Público do Rio) ajuizou uma ação civil pública ontem para que o governo retomasse as obras.

"Eu tenho um norte. Eu não tinha. O que eu tinha era impossibilidade de fazer a obra, de usar a construtora anterior, e o Tribunal de Contas do Estado determinando que a gente fizesse algo que fosse seguro para aquela localidade. E naquela localidade o que era seguro era aterrar", afirmou ele.

"Nós tínhamos uma dúvida a respeito da possibilidade de continuar a obra, porque havia uma decisão judicial que proibia qualquer investimento na empresa que está como ré na ação civil pública. O Ministério Público agora entendeu que é possível avançar nesta obra e fazê-la com recursos do estado. Foi proposta uma ação civil pública com esse objetivo. Eu vou entender como que a promotora quer prosseguir com isso. Nós vamos fazer um acordo", prosseguiu o governador.

Na ação ajuizada ontem, o MP do Rio se demonstrou favorável à retomada do contrato com a Concessionária Rio Barra (composta por empresas dos grupos Odebrecht, Queiroz Galvão e Carioca Christiani) por conta do risco de desabamentos, mortes e de interdição de vias na região. A ação usou como base um laudo técnico feito pela PUC-Rio, cuja sede, que fica na Gávea, também corre risco de desabamento.

"Por conta dos erros do passado, o Ministério Público evidentemente está preocupado com o dinheiro que vai para essa empresa. De certa forma, é uma cautela. Já há um consenso, devemos prosseguir, devemos fazer a obra, devemos encontrar os recursos. Recursos que virão da Justiça Federal que foram objeto de desvio. Então, nada mais justo que eles sejam ali empregados, naquela localidade", acrescentou Witzel.