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Bolsonaro é vaiado e aplaudido durante missa em Aparecida (SP)

Bernardo Barbosa

Do UOL, em Aparecida (SP)

12/10/2019 16h11

Resumo da notícia

  • Bolsonaro foi vaiado e aplaudido pelo menos três vezes pelos presentes ao Santuário de Nossa Senhora de Aparecida
  • Presidente participou diretamente da missa, lendo um trecho do livro bíblico de Ester
  • Esta é a primeira visita de um presidente ao santuário no dia 12 de outubro, desde FHC, em 1998

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi vaiado e aplaudido por três vezes durante as celebrações pelo dia de Nossa Senhora Aparecida, hoje, no Santuário Nacional dedicado à santa, na cidade paulista de Aparecida.

As vaias e aplausos ocorreram simultaneamente em dois momentos: quando Bolsonaro entrou na basílica e quando seu nome foi anunciado pelo irmão Carlos Cunha, que conduzia a missa.

Bolsonaro foi aplaudido novamente quando participou diretamente da missa, lendo um trecho do livro bíblico de Ester. Foi vaiado e aplaudido uma terceira vez quando foi anunciado pelo arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes.

Esta é a primeira visita de um presidente ao santuário no dia 12 de outubro, e a segunda de um mandatário no cargo. A outra foi de Fernando Henrique Cardoso, em maio de 1998, na inauguração do Centro de Apoio ao Romeiro. A basílica passou a receber atividades religiosas em definitivo em 1982.

Bolsonaro já havia visitado a basílica em novembro do ano passado, como presidente eleito. O Santuário Nacional de Aparecida espera a visita de 171 mil pessoas ao longo do sábado.

O presidente compareceu ao santuário com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira; o deputado federal Hélio Bolsonaro (PSL-RJ); e o deputado estadual paulista Gil Diniz (PSL).

Arcebispo critica "tradicionalismo"

Durante o sermão da missa especial, pela manhã, o arcebispo dom Orlando Brandes pediu proteção à vida, focando sua palavra na proteção da Amazônia. O religioso invocou os fiéis a ajudar na proteção da vida, buscar os afastados e ocupar os espaços vazios. Ao subir o tom crítico aos políticos, Brandes falou em "dragão do tradicionalismo" e disse que a direita é "violenta" e "injusta".

"Temos um dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estamos fuzilando o papa (Francisco), o Sínodo (da Amazônia), o Concílio do Vaticano II, parece que não queremos vida", afirmou o arcebispo durante o sermão. "Nas escrituras, o dragão é o demônio, é o diabo, é o mal que desorganiza tudo. Satanás também tem as suas comunidades, grupos do mal, que tentam e atentam contra a vida."

Em sua fala, ele também pediu para que Nossa Senhora Aparecida livre os brasileiros do mal.

"Para que, no Brasil, nossas crianças não morram mais com bala perdida, nossos jovens não se suicidem e nossos idosos tenham um lugar de dignidade para viver e sobreviver ao dragão do pecado."

Durante a tarde, diante da presença do presidente, o arcebispo amenizou sua fala dita pela manhã.

Segundo o arcebispo, os "dragões" são as ideologias, que representariam interesses pessoais tanto na direita, quanto na esquerda.

"Isso não faz bem. O que faz bem é procurar a verdade. A verdade é que liberta, a verdade é que nos dá paz", disse. "A verdade de Jesus Cristo."

Bolsonaro aplaudiu a fala do sacerdote.

O presidente Jair Bolsonaro acompanhou a missa no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida - Bernardo Barbosa/UOL
O presidente Jair Bolsonaro acompanhou a missa no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida
Imagem: Bernardo Barbosa/UOL

Sínodo da Amazônia

Outro tema mencionado de forma recorrente nas falas dos padres que conduziram celebrações hoje em Aparecida foi o Sínodo da Amazônia, que acontece ao longo deste mês no Vaticano.

O sínodo --um encontro em que o papa consulta outros religiosos-- foi convocado há dois anos pelo papa Francisco para o debate sobre a presença da Igreja Católica junto às populações amazônicas, principalmente as indígenas.

Ao mesmo tempo, o documento que orienta as discussões tem um tom bastante crítico à devastação do meio ambiente e ao impacto da exploração insustentável da floresta, afetando as populações locais.

O governo Bolsonaro não vê a reunião com bons olhos, e vê no encontro mais um momento em que poderá receber pressão externa. Bolsonaro é defensor da exploração comercial de terras indígenas e enfrentou sua maior crise de imagem no exterior durante o avanço das queimadas na Amazônia, em agosto.

No começo do ano, o próprio governo admitiu, por meio do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, que monitorava as reuniões preparatórias para o sínodo com a participação de padres brasileiros.

Na basílica de Aparecida, no entanto, a visão sobre o sínodo parece estar mais aliada à do papa Francisco.

"Uma salva de palmas ao Sínodo, uma salva de palmas ao papa e uma salva de palmas à Igreja da Amazônia", pediu o irmão Carlos Cunha pouco antes do início da missa com a presença de Bolsonaro.

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