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Holiday: penhora de picape de Ciro é libertação de "senzala ideológica"

Karime Xavier - 16.fev.2017/Folhapress
Imagem: Karime Xavier - 16.fev.2017/Folhapress

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

27/01/2020 17h11Atualizada em 27/01/2020 17h50

Resumo da notícia

  • Justiça determinou a penhora de uma picape de Ciro em ação movida por Holiday
  • Vereador em SP, Holiday foi chamado de "capitãozinho do mato" por Ciro
  • Decisão de penhorar o carro visa garantir que Ciro pague indenização ao vereador
  • Para Holiday, decisão liberta negros da "senzala ideológica"

O vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) comemorou a decisão da Justiça pela penhora de uma picape de Ciro Gomes (PDT), candidato a presidente da República em 2018, por conta de uma declaração sobre o parlamentar. Em 2018, Ciro chamou Holiday de "capitãozinho do mato" em uma entrevista à rádio Jovem Pan.

Para o vereador, o processo contra Ciro "é sobre a libertação dos negros da senzala do século 21: a senzala ideológica". O vereador afirmou que não "deixará barato" o caso e acusou o pedetista de personificar a "hipocrisia da esquerda racista".

Holiday obteve uma vitória parcial em uma ação na qual pede indenização de R$ 38 mil a Ciro.

A juíza Lígia Dal Colletto Bueno, da 1ª Vara do Juizado Especial Cível da Capital, determinou a penhora para pagar o valor pedido por Holiday. O pedetista irá recorrer da decisão.

No ano passado, em fevereiro, Ciro já havia sido condenado a pagar a indenização. A decisão de hoje visa assegurar que o ex-candidato a presidente pague o valor imposto. Cabe recurso da decisão.

Na entrevista de junho de 2018, Ciro disse à rádio Jovem Pan: "imagina esse Fernando Holiday aqui, o capitãozinho do mato, porque é a pior coisa que tem é um negro que é usado pelo preconceito para estigmatizar, que era o capitão do mato do passado".

Negro, o vereador Holiday se tornou conhecido militando no MBL (Movimento Brasil Livre). Conhecido pelo pensamento liberal, ele já declarou inúmeras vezes ser contra lutas tradicionais do movimento negro brasileiro, como as cotas raciais e o dia da consciência negra.

Ciro negou em entrevistas que a fala seja racista e que fez a declaração "defendendo os negros" em virtude dos posicionamentos políticos de Holiday.

Os capitães do mato surgiram no século 17 no Brasil. Eram homens livres e pobres que perseguiam escravos fugitivos em troca de dinheiro. Alguns negros ou mestiços não-escravos também exerciam a função.

Quando alguém chama um negro de capitão do mato visa criticar o negro que não defende bandeiras tradicionais do movimento. Contudo, há controvérsia se um branco pode se referir a um negro dessa maneira.

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