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Bolsonaro escala deputados para se defender de fala sobre mortes por covid

GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

29/04/2020 09h56

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escalou deputados aliados para, na manhã de hoje, atacar a imprensa, criticar governadores e prefeitos e se defender de perguntas sobre o trocadilho usado por ele, ontem (28), para minimizar o recorde diário de mortos por covid-19 (5.017 em todo o país).

Na ocasião, Bolsonaro reagiu da seguinte forma: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre". Ele havia sido questionado sobre os dados divulgados pelo Ministério da Saúde referentes à pandemia do coronavírus.

"Messias" é o nome do meio do presidente e foi citado em referência ao personagem bíblico. A ironia provocou uma onda de repúdio e repercutiu em vários setores da sociedade. Figuras de diferentes posicionamentos, tanto à direita quanto à esquerda no espectro político, criticaram a fala do mandatário.

Hoje, Bolsonaro afirmou que a imprensa tentou "colocar na conta" dele "coisas que não cabem" ao chefe do Executivo federal. Além disso, bateu boca com os repórteres que o aguardavam na saída do Palácio da Alvorada —um deles foi chamado de "mentiroso".

De acordo com o raciocínio do presidente, a culpa pelos óbitos decorrentes da covid-19 é de governadores e prefeitos porque eles foram responsáveis pelas medidas restritivas de enfrentamento, como o isolamento social.

A medida é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e vem sendo defendida por autoridades sanitárias em todo o planeta. Para o governo, no entanto, trata-se de um grave risco à economia do país. A divergência levou à demissão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

"A minha opinião não vale. O que vale são os decretos de governadores e prefeitos", disse Bolsonaro. "A gente lamenta as mortes profundamente. Sabia que ia acontecer. Mas quem tomou todas as medidas restritivas foram governadores e prefeitos."

Não sejam agressivos e queiram colocar no meu colo uma conta que não é minha
Jair Bolsonaro, em resposta à imprensa na manhã de hoje

Para o chefe do Executivo federal, estrutura de poder na qual está inserido o Ministério da Saúde, é necessário "cobrar responsabilidade a quem é de direito", isto é, governadores e prefeitos.

O presidente deixou o Alvorada acompanhado de mais de dez deputados que compõem a sua base ideológica no Parlamento. A portaria da residência oficial do governo acabou virando uma espécie de palanque, no qual os congressistas disputavam espaço para poder discursar.

As declarações foram acompanhadas de reações exaltadas dos apoiadores bolsonaristas que se aglomeravam no local.

O alvo comum dos políticos foi a imprensa, desrespeitada durante todo o tempo. A deputada Major Fabiana (PSL-RJ) chegou a dizer que os veículos de comunicação e seus profissionais agiriam com "mau-caratismo" devido à repercussão da fala de ontem de Bolsonaro.

"Isso é um mau-caratismo. (...). Quem pode ficar em casa, que fique. Mas que não pode, acredite e confie no presidente", declarou a parlamentar.

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