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Deputado do Centrão que indicou diretor do Dnocs é alvo de operação da PF

PF em outra operação: hoje, agentes fizeram buscas no apartamento funcional de Sebastião Oliveira - Divulgação/PF
PF em outra operação: hoje, agentes fizeram buscas no apartamento funcional de Sebastião Oliveira Imagem: Divulgação/PF

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

08/05/2020 10h44Atualizada em 08/05/2020 17h59

A Polícia Federal cumpriu ordens de busca e apreensão contra um deputado que indicou o novo diretor do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). Na segunda fase da Operação Outline, os agentes fizeram buscas no apartamento funcional de Sebastião Oliveira (PL-PE), em Brasília, e na residência dele em Recife (PE) nesta sexta-feira (8).

Oliveira foi secretário de Transporte do governo de Pernambuco. Numa aproximação com o Centrão, presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entregou o Dnocs ao líder do PP, Arthur Lira (AL), que, por sua vez, deixou com Sebastião a tarefa de nomear o diretor do órgão.

O objetivo é conquistar votos na campanha para presidente da Câmara, que acontecerá em fevereiro de 2021.

O deputado Sebastião Oliveira é do PL, mas também controla o Avante em Pernambuco. Ele negociou para o Lira o apoio do Avante da Câmara ao governo Bolsonaro.

Servidores do DER foram presos

A operação de hoje ainda prendeu dois servidores do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) de Pernambuco. Segundo comunicado da Polícia Federal, o objetivo é "desarticular organização criminosa que praticava desvios de recursos públicos destinados à obra de requalificação da BR-101, no trecho do Contorno Viário da Região Metropolitana de Recife".

Ainda na primeira fase da Outline, os agentes suspeitaram de um órgão que foi comandado por Sebastião Oliveira. "Foram encontradas, ainda, evidências de que a Secretaria de Transporte de Pernambuco, vinculada ao DER, teria sido condescendente com as fraudes", afirmou a PF. Alvo das buscas hoje,o deputado era titular dessa pasta.

Bolsonaro quer mudar PF em Pernambuco, disse Moro

Bolsonaro tem enfrentado uma crise com a Polícia Federal desde o ano passado. A tensão resultou na saída do então ministro da Justiça Sergio Moro. Ele acusa o presidente de interferir na PF. Bolsonaro nega.

O ex-ministro disse que o presidente gostaria de trocar as superintendências do Rio de Janeiro, de Pernambuco e de outros estados.

Bolsonaro demitiu o então diretor da PF, Maurício Valeixo, e, após alguns dias, nomeou Rolando Alexandre. Ele trocou o comando do Rio, mas colocou lá um delegado considerado confiável pela categoria.

Operação envolve 40 agentes

A segunda fase da "Outline" mobiliza cerca de 40 policiais. Ele cumprem nove mandados de busca e dois de prisão temporária — detenções que costumam durar cinco dias. As ações acontecem em Brasília, Recife, Paulista (PE) e Serra Talhada (PE).

As ordens foram dadas pela Justiça Federal de Pernambuco. O Judiciário ainda ordenou o confisco de imóveis dos investigados em Recife e Gravatá (PE).

Valor das obras beira os R$ 200 milhões

Segundo a Polícia Federal, o contrato para requalificar a rodovia BR-101 "supera os R$ 190 milhões". A maior parte do dinheiro é formada por repasses do governo federal para o DER de Pernambuco.

Auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e do estado (TCE-PE) asseguram que "a obra vinha sendo executada com materiais (especialmente asfalto) de baixa qualidade e pouca durabilidade".

A primeira fase da Operação apreendeu documentos e arquivos digitais. A PF diz que o material mostrou provas de desvios de dinheiro. Houve, exemplo, a contratação de uma empresa fantasma. "Ficou demonstrada a evolução patrimonial de ex-servidores do DER-PE incompatível com seus vencimentos", acrescentou a assessoria da polícia.

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