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Bolsonaro participa de protestos a seu favor no dia que Flávio é a notícia

Bolsonaro e aliados na rampa do Palácio do Planalto saúdam manifestantes a favor do governo - Foto: Gabriela Biló/Estadão
Bolsonaro e aliados na rampa do Palácio do Planalto saúdam manifestantes a favor do governo Imagem: Foto: Gabriela Biló/Estadão

Do UOL, em São Paulo

17/05/2020 22h39

No mesmo dia em que Flávio Bolsonaro foi acusado de saber antecipadamente sobre uma operação da Polícia Federal, seu pai e presidente da República acompanha protestos a seu favor ao lado de seus ministros. A acusação, feita por Paulo Marinho, pode dar novos contornos à investigação do Supremo Tribunal Federal contra o presidente.

Em meio à quarentena para conter a pandemia do novo coronavírus, apoiadores de Bolsonaro voltaram a organizar protestos a favor do governo e contra as medidas de contenção da doença.

Em Brasília, Bolsonaro acompanhou a movimentação da rampa do Palácio do Planalto, ao lado de seus ministros André Mendonça (Justiça e Segurança Pública), Augusto Heleno (GSI), Bento Albuquerque (MInas e Energia), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Tereza Cristina (Agricultura) e Onyx Lorenzoni (Cidadania).

Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, Bolsonaro parabenizou os manifestantes por não levarem faixas ou bandeiras que atentassem contra a Constituição. Em atos anteriores, era comum ver faixas a favor do fechamento do Congresso Nacional e do STF.

No entanto, antes da chegada de Bolsonaro, seguranças da Presidência pediram aos manifestantes que retirassem as faixas contra o Congresso e o STF. Uma chamava os órgãos de "sabotadores" e pedia uma nova Constituição.

"Existe política com participação espontânea popular, isso não tem preço. (...) Uma manifestação pura da democracia, estou muito honrado com isso", afirmou. "Tenho certeza de que movimentos como esse fortalecem o nosso Brasil."

Bolsonaro saiu do Palácio da Alvorada às 11h40 acompanhado dos ministros Ramos e Heleno. Em seguida, voltou ao carro oficial e seguiu para o Palácio do Planalto, onde o presidente trabalha, para acompanhar o ato em sua defesa.

Ele apareceu na rampa do Planalto por volta das 12h12 junto a ministros, assessores e seguranças agradecendo a presença dos apoiadores. Em determinado momento, chegou a reverenciá-los em gesto.

Do alto da rampa, o presidente segurou uma bandeira do Brasil e acenou aos presentes levantando as mãos de alguns ministros. Em resposta, o público começou a cantar o hino nacional.

Faixas com os escritos "nossa bandeira jamais será vermelha", "deixe Bolsonaro governar", "fechados com Bolsonaro" e "hidroxicloroquina já" foram levadas pelos apoiadores. Havia também uma bandeira do Brasil imperial e um caixão marrom.

Alguns apoiadores cantaram para o presidente uma versão adaptada da música "Florentina", famosa na voz do deputado federal Tiririca (PL), para falar da cloroquina, medicamento defendido por Bolsonaro para tratar pacientes infectados pelo coronavírus.

"Cloroquina, cloroquina, cloroquina lá do SUS, eu sei que tu me salvas em nome de Jesus", cantaram os apoiadores.

Houve hostilidade com a imprensa nos atos. O próprio Bolsonaro repreendeu o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, por falar com jornalistas que aguardavam para fazer perguntas ao presidente. "Deturpa tudo", teria dito o presidente.

Em outro momento, uma repórter da Band foi agredida por uma apoiadora que lhe acertou a cabeça com uma bandeira.

Em São Paulo também houve manifestações, com apoiadores fazendo carreata na Avenida Paulista.

Filho é a notícia do dia

Porém, não foi o presidente que amanheceu estampando capa de jornal hoje, e sim seu filho o senador Flávio Bolsonaro. O suplente de Flávio e então aliado da família Bolsonaro, Paulo Marinho afirmou hoje, em entrevista à Folha de S.Paulo, que Flávio o procurou após o segundo turno das eleições presidenciais em 2018, e afirmou que teve conhecimento prévio sobre a Operação Furna da Onça, da Polícia Federal.

A operação citada investigava a prática de "rachadinha" (quando funcionários do gabinete devolvem parte de seus salários) entre deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), incluindo Flávio, então deputado estadual no RJ.

Em seu relato, Marinho afirma que Flávio disse que a PF segurou a deflagração da operação para depois das eleições, para não prejudicar a candidatura de Bolsonaro à presidência e dele ao Senado. O filho do presidente teria afirmado também que foi informado que a investigação atingiria Fabrício Queiroz, funcionário de seu gabinete e que também trabalhou para o gabinete de Jair Bolsonaro quando este era deputado federal.

O senador negou as acusações e disse que Marinho quer a sua vaga no Senado. A fala, no entanto, repercutiu no meio político e já houve pedido de anulação das eleições e cassação da chapa que elegeu Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão.

Para além da repercussão entre opositores, a fala pode atingir Bolsonaro também no Supremo.

Até então, o foco do inquérito no STF no lastro das acusações estava concentrado no ex-ministro Sergio Moro, que deixou o governo atacando o presidente. Moro, que também é investigado no mesmo inquérito aberto no STF, já prestou depoimento e chegou a afirmar que Bolsonaro teria dito, em uma reunião ministerial, que queria apenas uma das 27 superintendências da PF — que seria a do Rio.

As declarações de Marinho, após a repercussão de sua entrevista, podem endossar ou não o depoimento de Moro, e a Procuradoria-Geral da República já estuda convocar o empresário para prestar esclarecimentos.

Pelo Twitter, o empresário respondeu a uma publicação do ex-ministro. "Espero que os fatos revelados, com coragem, pelo Sr. Paulo Marinho sejam totalmente esclarecidos". Marinho respondeu duas horas depois: "Com certeza serão".

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.