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Haddad sobre atos: 'É lamentável arriscar a vida para defender a liberdade'

Do UOL, em São Paulo*

10/06/2020 14h52

Fernando Haddad, candidato derrotado por Jair Bolsonaro (sem partido) no segundo turno das eleições presidenciais de 2018, disse que é "lamentável" que brasileiros tenham que "arriscar a vida para defender a liberdade" ao protestar contra o governo federal em meio à pandemia do novo coronavírus.

"Como eu vejo esse movimento? Vejo como uma resposta à provocação do governo federal. Membros do governo federal, inclusive militares bolsonaristas antidemocráticos, têm ido às ruas com o presidente todo fim de semana agredir as instituições e ameaçar a opinião pública, inclusive ameaçar a imprensa. Não estamos em um ambiente normal. Estamos num ambiente em que as instituições estão sendo ameaçadas", afirmou em participação na edição de hoje do UOL Entrevista.

"A máquina de fake news do bolsonarismo não para. Não para de caluniar, difamar as pessoas para dar sustentação ao governo. Você tem um presidente que viola as regras das próprias autoridades sanitárias e do país e insulta a população, fala em guerra civil", disse Haddad.

"Se a população reage em um movimento amplo, antifascista, pela democracia, eu não posso condenar, porque a provocação vem do governo federal. Tenho a lamentar muito o fato de as pessoas estarem indo para a rua num momento em que não deveriam, provocadas pelo próprio governo. É lamentável que alguém tenha que arriscar a sua vida para defender a liberdade. Não deveria ser assim. Se tivéssemos um governo com autoridade, que unisse o país contra a pandemia, que não sabotasse o isolamento, e nós estamos há 90 dias com o isolamento mal feito."

Para Haddad, o Brasil corre o risco de ter de voltar ao isolamento social, após a reabertura de atividades em andamento em estados e municípios. O ex-prefeito de São Paulo ainda criticou as ações do governo federal no combate à covid-19.

"Corremos o risco de sairmos de um isolamento mal feito e termos que voltar a ele 15, 30 dias depois. Um governo que sabota a democracia gera uma reação. Quero crer que um movimento que se diz antifascista, o próprio nome está dizendo: ele não é um movimento programático, é um movimento defensivo contra as agressões que o governo todo final de semana promove no país. Toda a sabotagem que o governo promove no país", acrescentou.

*Participaram da produção deste texto Diego Henrique de Carvalho, Gabriela Sá Pessoa, Emanuel Colombari, Gustavo Setti e Bruno Madrid

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