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PGR apura ligação entre advogado Frederick Wassef e concessionária

O ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Frederick Wassef, em evento no Palácio do Planalto - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
O ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Frederick Wassef, em evento no Palácio do Planalto Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Eduardo Militão e Gilvan Marques

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

15/09/2020 17h58

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu hoje uma investigação preliminar para apurar a relação do advogado Frederick Wassef, ex-advogado da família Bolsonaro, e a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, em Campinas (SP). O aeroporto mantém contrato com o governo federal.

Um advogado acionou o Ministério Público Federal (MPF) ressaltando que Wassef teria contratos para "prestar consultorias jurídicas e estratégicas com Viracopos, no valor de R$ 5 milhões, mesmo sem experiência na área de infraestrutura ou regulação". Ele pediu a investigação da relação entre as duas partes.

A PGR irá fazer essa apuração preliminar para saber se há elementos de fato para uma investigação. O objetivo é apurar se, por causa da proximidade com a família Bolsonaro, houve tráfico de influência. Nem Wassef nem Jair Bolsonaro são investigados.

"A contratação de Frederick Wassef pela concessionária teria viabilizado, em razão do aludido vínculo de natureza pessoal, a realização de acordo com a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), de forma a facilitar, em prejuízo de interesse público, a aprovação do pedido de relicitação (reavaliação dos termos da outorga e alteração do contrato) do aeroporto internacional em Campinas, tudo com anuência e possível participação do Presidente da República", diz trecho do documento da PGR enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Na semana passada, Frederick Wassef já havia sido um dos alvos de um mandado de busca e apreensão cumprido em um conjunto de ações que apura a suspeita de um esquema de fraudes no Sistema S e na Fecomércio-RJ. O advogado é investigado pela força-tarefa da Operação Lava Jato por suspeita de ter desviado R$ 2,6 milhões.

De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), os recursos supostamente desviados foram repassados ao escritório de Wassef pelo Escritório Eluf e Santos Sociedade de Advogados, contratado para trabalhar em processos administrativos e em desdobramentos desses casos na Justiça do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e do Sesc (Serviço Social do Comércio) do Rio entre dezembro de 2016 e maio de 2017.

Ligado à família Bolsonaro, Wassef acolheu Fabrício Queiroz em sua casa em Atibaia (SP), onde foi preso na manhã de 18 de junho. Apesar de ter sido alvo da ação, Wassef não se tornou réu.

Com base na quebra dos sigilos bancários, o MPF comprovou repasses de cerca de R$ 4,5 milhões pela prestação de serviços em um intervalo de apenas cinco meses. Desse valor, R$ 2,6 milhões foram repassados ao escritório de Wassef — o equivalente a R$ 58% do total recebido.

Segundo o MPF, esses valores teriam sido destinados à prática de lavagem de dinheiro "por serviços que efetivamente não foram prestados." Wassef nega as acusações.

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