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Política

Manifesto de 48 entidades critica fala de Bolsonaro na ONU: 'envergonha'

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

24/09/2020 13h01Atualizada em 24/09/2020 13h56

Um manifesto assinado por 48 entidades de várias áreas lançado hoje faz duras críticas ao discurso do presidente Jair Bolsonaro abertura da 75ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), na terça-feira, em que acusou índios e caboclos de serem os responsáveis pelos incêndios na Amazônia e Pantanal.

O texto diz que o pronunciamento foi "um ataque planejado e consciente, que tem a intenção falaciosa de mostrar ao mundo uma realidade que não corresponde ao que ocorre no Brasil, desde sua chegada ao governo."

Para as entidades como a CPT (Comissão Pastoral da Terra), que assinam a nota, Bolsonaro "envergonha brasileiras e brasileiros com uma fala de apenas 14 minutos, mas repleta de inverdades."

"São omitidos, propositalmente, números, dados e fatos em relação à destruição da Amazônia, como crimes ambientais. O discurso, desta vez em espaço internacional, não difere dos comumente dirigidos aos seus eleitores no Brasil, contudo, nesta ocasião Bolsonaro fez questão de destacar uma série de temas de extrema relevância ao Brasil e os apresentou com todos os requintes falaciosos possíveis, como forma de esconder as inúmeras denúncias contra ações e omissões danosas do seu governo", afirma o manifesto.

As entidades afirmam ainda que o discurso tenta esconder a "conivência de seu governo com o desmatamento e a grilagem de terras na Amazônia, principalmente em terras públicas."

"O presidente acusou de forma irresponsável os indígenas e outras populações tradicionais como responsáveis pelas queimadas na Amazônia. A fala reafirma sua negação de direitos e todo seu ódio aos indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais", diz o texto, citando que o governo não tem feito "poucas ações concretas para punir os verdadeiros responsáveis pela maioria dos crimes ambientais ocorridos repetidamente na Amazônia."

Por fim, asseguram as entidades, a intenção do governo seria "desmontar a estrutura - já precária - dos órgãos ambientais, para atender os interesses daqueles que cometem crimes socioambientais contra a Amazônia e seu povo."

"Bolsonaro chegou a dizer que em seu governo os crimes ambientais 'são combatidos com rigor e determinação', no entanto, são notórias as notícias de que, no primeiro ano de seu mandato, o número de autuações ambientais diminuiu em 34%, considerado o menor índice de autuações nos últimos 24 anos", pontua.

"Para nós, o atual governo é indigno de ocupar tal cargo e por isto manifestamos nosso protesto contra seu governo", finaliza o texto.

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