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Lula diz que Bolsonaro deu cidadania à extrema direita no Brasil

Lula criticou Paulo Guedes e comentou sobre eleições em São Paulo e nos Estados Unidos - Yasuyoshi Chiba/AFP via Getty Images
Lula criticou Paulo Guedes e comentou sobre eleições em São Paulo e nos Estados Unidos Imagem: Yasuyoshi Chiba/AFP via Getty Images

Colaboração para o UOL

07/10/2020 16h06

O ex-presidente Lula (PT-SP) comentou hoje sobre o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) em entrevista ao site El País Brasil. Ele analisou a popularidade do atual presidente e tentou explicar por que ele tem aprovação de cerca de 40% da população, de acordo com pesquisas recentes.

"A coisa que mais respeito é o direito de pensar das pessoas. O Bolsonaro é um cara que fez uma coisa: dar cidadania à extrema direita brasileira. A extrema direita brasileira tinha vergonha de ser extrema direita. Você não encontrava um malufista em São Paulo fazendo provocação para um petista ou para um tucano. Eles não tinham coragem de dizer que eram de direita. Bolsonaro tirou essa gente do ralo da política e deu cidadania", explicou.

Depois Lula passou a criticar as atitudes de quem apoia Bolsonaro, citando que o presidente alimenta essas posições.

"O Bolsonaro fez as pessoas saírem do silêncio mortal em que estavam para gritar. Ele pegou de 25% a 30% da população, que não votava ou se abstinha ou votava na extrema direita, e disse 'agora vocês têm um cara para defender vocês'. Então defenda o regime militar, seja contra o aborto, defenda a tortura e defenda o estupro. Essa gente se autoproclamou cidadão de primeira classe. Ele deu cidadania a uma espécie de gente que vivia na clandestinidade", concluiu Lula.

Lula também criticou as medidas econômicas do governo Bolsonaro. Ele afirmou que as incertezas do ministro Paulo Guedes geram prejuízos financeiros para o país.

"O Guedes parece uma biruta de aeroporto. Ele se mexe de acordo com o vento. Cada dia fala uma coisa. Ele precisa garantir que as coisas vão ter regras. Se não tiver isso, não passa confiança para a Bolsa, para o trabalhador, para a imprensa e para os economistas. E esse governo não passa confiança. O que faz é vender nosso patrimônio público", criticou Lula.

O petista também foi perguntado sobre eleições que vão acontecer em breve, tanto as municipais de São Paulo quanto a disputa presidencial nos Estados Unidos. Ele aproveitou para defender a candidatura de Jilmar Tatto na capital paulista, dizendo que não é correto compará-lo, neste momento, com candidatos que já são conhecidos.

"O PT já teve várias vezes 30% dos votos em São Paulo. O PT só teve menos votos agora, nas eleições presidenciais. Acho que o Haddad teve 19%. Mas para prefeito ele teve 30% dos votos e depois ganhou. Então o PT tem força política. Se a gente conseguir que a força do PT seja canalizada pro Jilmar, ele pode ser o mais votado entre os candidatos de esquerda. É com isso que nós trabalhamos", explicou Lula.

Perguntado se não seria melhor juntar as forças da esquerda com Guilherme Boulos (PSOL), o ex-presidente deixou claro que prefere fazer isso em um possível segundo turno que tenha um candidato de esquerda. Ele disse que, além de apoiar Boulos, o PT também pode se aliar a candidaturas de Márcio França (PSB) ou Orlando Silva (PCdoB)

"Sou muito amigo do Boulos. Respeito profundamente o Boulos e ele me respeita. Eu acho um luxo pra São Paulo ter Jilmar, Boulos, Orlando e Márcio França. Antes eram 2 candidatos de direita disputando entre si. À gente só cabia a sorte de rezar pra ganhar o menos pior. (...) Agora, quando chegar no final do 1º turno, você vai ver quem teve melhor performance, ver quem é que vai pro 2º turno e todo mundo se junta em torno dele", prometeu Lula.

Sobre as eleições dos Estados Unidos, Lula criticou Donald Trump, principalmente por causa das fake news.

"Eu vi um discurso do Trump chamando o Clinton e o Obama de comunistas. Eu fico imaginando como que o Marx e o Lenin se mexiam no túmulo. Porque isso é uma ignorância. Não é possível que o presidente da maior economia do mundo possa dizer que o Clinton é comunista. (...) Na política, quando você não tem uma coisa boa pra apresentar, você apresenta um inimigo. E a apresentação de um inimigo vira razão pra você fazer qualquer absurdo. O Trump apresentou a China como inimiga", comentou Lula.

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