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Deputados querem que Pazuello, Anvisa e Butantan se expliquem na Câmara

Ontem, a Anvisa interrompeu o estudo clínico da CoronaVac após um "evento adverso grave" - Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo
Ontem, a Anvisa interrompeu o estudo clínico da CoronaVac após um "evento adverso grave" Imagem: Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

10/11/2020 15h25Atualizada em 10/11/2020 16h11

Um grupo de três deputados quer que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, expliquem na Câmara dos Deputados o motivo para a suspensão dos testes da vacina CoronaVac, em desenvolvimento pelo laboratório chinês Sinovac com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo.

Assinado pelos deputados Orlando Silva (PCdoB-SP), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e Marcelo Ramos (PL-AM), o requerimento pede que Pazuello seja convocado — quando a fala aos parlamentares é obrigatória — e que Torres e Covas sejam convidados — quando há a opção de recusa. As explicações seriam dadas à comissão da Casa destinada a acompanhar as ações preventivas ao coronavírus no país.

A Anvisa determinou ontem à noite a interrupção do estudo clínico da vacina após o registro de um "evento adverso grave". Em resposta, o Instituto Butantan afirmou que foi "surpreendido". A morte que causou a suspensão foi o suicídio de um voluntário de 33 anos ocorrido em 29 de outubro, apurou o UOL.

Além de explicarem o que aconteceu, os deputados pedem que os três falem sobre quais as regras, normas e leis a serem seguidas para a autorização da vacinação da covid-19 e apresentem as etapas em que se encontram cada vacina em processo na Anvisa. Ainda não há data para que a comissão vote o pedido.

"Conforme noticiado, o diretor geral do Instituto Butantan em São Paulo, Dimas Covas, acusou, nesta segunda-feira (9), a Anvisa de suspender os testes da CoronaVac sem qualquer motivo técnico. A vacina é desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o governo do estado de São Paulo. O governo chinês e João Doria (PSDB) são dois dos alvos permanentes de Jair Bolsonaro, que tem atacado sistematicamente a CoronaVac", diz trecho do requerimento.

A bancada do PSOL na Câmara, por sua vez, protocolou requerimento em que solicita que somente o diretor-presidente da Anvisa preste esclarecimentos à Casa sobre a suspensão dos testes da CoronaVac.

No pedido, os deputados falam que a Anvisa deve ser um órgão de Estado, sem se submeter às eventuais vontades do governo Bolsonaro. A líder do partido, Sâmia Bomfim (SP), acredita que a Anvisa embasou a decisão da suspensão de forma política, e não técnica, o que a agência nega.

Já o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou requerimento para que Antônio Barra Torres e Dimas Covas sejam convidados a falar na comissão que trata da covid-19 no Senado. Segundo sua assessoria, o colegiado se reunirá amanhã para votar o pedido.

"É natural — e desejável — que interrupções nas pesquisas sejam feitas sempre que necessário para que a segurança da população que virá a ser imunizada seja plenamente resguardada. No entanto, não é aceitável que possíveis disputas políticas possam atrasar uma medida tão aguardada como a distribuição da vacina que, esperamos, poderá facilitar e impulsionar a normalização da situação de calamidade que enfrentamos no momento", justificou Vieira.

Pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou as redes sociais para atacar Doria. Um usuário perguntou se o Brasil poderia comprar e produzir a vacina. Em resposta, o presidente citou três dos efeitos listados hipoteticamente pela Anvisa e ainda recordou uma de suas desavenças com Doria, sobre a obrigatoriedade ou não dos imunizantes.

O governador não participou da entrevista coletiva desta manhã, nem respondeu diretamente aos ataques do presidente.

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