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Política

PT quer que nação engula arrogância do partido sem autocrítica, diz Ciro

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/12/2020 12h01Atualizada em 01/12/2020 14h43

O ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) analisou, em entrevista ao UOL, a formação de uma nova esquerda no país, capitaneada por Guilherme Boulos (PSOL), e criticou o PT. Na opinião de Ciro, o PT quer que a nação "engula" o partido em mais um pleito sem que a sigla tenha feito nenhuma autocrítica.

Ciro fez a afirmação enquanto falava sobre o PSOL e o desempenho de Boulos na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

[PSOL e Boulos] São uma possibilidade dos jovens serem de esquerda no Brasil sem ter que explicar o [Antônio] Palocci, a Gleisi Hoffmann, essas loucuras que essa burocracia corrompida do PT praticou e querem agora que a nação inteira engula, sem nenhuma autocrítica, essa arrogância, essa prepotência
Ciro Gomes, ex-governador do Ceará

Em outubro, Ciro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontraram numa tarde para discutir uma união da esquerda contra Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022. Os dois têm uma relação estremecida desde 2018 e já trocaram alfinetadas públicas diversas vezes.

Dias depois do encontro, Ciro disse que ele e Lula tiveram uma "conversa muito franca, muito franca mesmo, lavamos a roupa suja para valer".

Hoje, o pedetista afirmou que apresentou uma série de críticas ao petista, incluindo a indicação de Michel Temer (MDB) para o cargo de vice na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Com o impeachment de Dilma, Temer acabou ocupando a Presidência. Segundo Ciro, Lula concordou em parte com as críticas apresentadas por ele —mas não disse quais.

Durante a entrevista, Ciro disse que fez todas essas críticas diretamente ao Lula. "Então: 'a esquerda tem de se unir'. Que diabo é isso? Se reunir ao redor de quê? Se reunir em torno do lulopetismo corrompido? Eu restaurei o diálogo com o Lula, disse tudo isso que falei em público respeitosamente como estou fazendo agora. E o que ele me disse eu não vou dizer porque respeito as pessoas que confiam em mim".

O ex-candidato à Presidência ainda afirmou que "paga o preço" por ser aliado do PT. "Eu tenho alguma coisa contra o PT? Meu irmão, eu sou aliado do PT a vida inteira. E eu pago um preço por isso no Brasil, no Sul, as pessoas me confundem porque eu fui aliado a vida inteira. Mas entre o Aécio [Neves, candidato à Presidência pelo PSDB em 2014] e a Dilma [Rousseff, ex-presidente] eu não me arrependo do voto que eu tomei". Ciro declarou "apoio crítico" à Dilma.

Uma nova esquerda

Ciro Gomes também disse que vê em Boulos uma oportunidade de renovação da esquerda brasileira e que o partido dele, PSOL, representa uma "esquerda raiz", que não se corrompeu como o PT.

"Eles são o que representa no melhor sentido do termo uma esquerda radical, uma esquerda raiz, uma esquerda que não contemporizou com a bandalheira como o PT fez, essa burocracia corrompida do PT", disse o ex-ministro.

Mas Ciro pontuou que a união em torno de Boulos não se deu pelo psolista, mas, sim, pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Eu disse que quem nos uniu não foi o Guilherme Boulos, foi o Doria. O Covas é uma pessoa bastante querida para mim, eu era muito amigo do avô dele, mas o Doria eu considero essa direitona bolsonarista, boçal e, pior, com essa característica desonesta de manipular opinião pública. No dia que convém é Bolsonaro, quando não, é antibolsonaro. Joga, faz política partidária com vacina, com covid
Ciro Gomes, ex-ministro

*Colaboraram Afonso Ferreira, Ana Carla Bermúdez, Felipe Oliveira e Leonardo Martins

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