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Chanceler condena invasão, mas defende atos contra "fraude" já descartada

Ernesto Araújo pediu investigações sobre protesto nos EUA - Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo
Ernesto Araújo pediu investigações sobre protesto nos EUA Imagem: Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo

Colaboração para o UOL

07/01/2021 15h40

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, manifestou-se na tarde de hoje sobre a invasão ao Congresso dos Estados Unidos, ocorrida na tarde de ontem. Ele lamentou e condenou o ocorrido. Mas também defendeu o direito do povo americano de se manifestar sobre o assunto, fez afirmações sem provas e até cogitou a existência de infiltrados no protesto.

Ernesto começou escrevendo que "há que lamentar e condenar a invasão da sede do Congresso ocorrida nos EUA ontem". Mas logo depois começou a levantar teorias não comprovadas sobre "infiltrados" e pediu investigações sobre as quatro mortes ocorridas na invasão.

Apesar da maioria dos líderes mundiais condenarem os protestos, Ernesto passou a defender os direitos dos americanos de se manifestarem contra o resultado das eleições americanas, que apontaram a vitória de Joe Biden contra Donald Trump, aliado do governo Bolsonaro. O chanceler alegou que "grande parte do povo americano se sente agredida e traída por sua classe política e desconfia do processo eleitoral", porém não especificou pesquisas que respaldam sua argumentação.

Trump tem sustentado a teoria de que houve fraude nas eleições americanas e entrou com dezenas de recursos na Justiça, mas todos foram rejeitados pelo Poder Judiciário dos EUA. Investigações também já descartaram a possibilidade de fraude e comprovaram a vitória de Biden, que foi certificada pelo Congresso hoje.

Durante a sessão do Congresso americano ontem, para confirmar a eleição do democrata, Trump inflamou apoiadores dizendo que não aceitaria o resultado da eleição. Mais tarde, após a invasão, pediu calma aos apoiadores. Ao menos quatro pessoas morreram, segundo a polícia de Washington.

O chanceler brasileiro rebateu críticas que chamaram os invasores do Congresso de "fascistas".

"Há que parar de chamar "fascistas" a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições. Deslegitimar o povo na rua e nas redes só serve para manter estruturas de poder não democráticas e seus circuitos de interesse. O direito do povo de exigir o bom funcionamento de suas instituições é sagrado. Que os fatos de ontem em Washington não sirvam de pretexto, nos EUA ou em qualquer país, para colocar qualquer instituição acima do escrutínio popular".

Hoje o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também falou sobre os protestos dos Estados Unidos e seguiu o mesmo tom, pois sustentou que houve fraude, que já foi descartada, na vitória de Biden e disse que os americanos não confiam no sistema eleitoral, também sem apresentar provas. Ele também afirmou que, se o processo eleitoral do Brasil não for mudado até 2022, o país pode ter problemas piores que os Estados Unidos.

O que aconteceu nos EUA

Ontem Washington viveu momentos de terror com a invasão de apoiadores do presidente ao Capitólio, onde o Congresso se reuniu para certificar a vitória de Biden. Segundo a polícia, quatro pessoas morreram.

Momentos antes da invasão, Trump havia insuflado seus apoiadores a se manifestarem contra a proclamação da vitória de Joe Biden com um discurso na capital americana. O vice-presidente Mike Pence, que presidia a sessão, foi retirado do local por seguranças. A Prefeitura de Washington DC decretou toque de recolher.

Retomada da sessão com críticas

Com a invasão, a sessão do Congresso foi suspensa, sendo retomada durante a noite. Na reabertura, o vice-presidente Mike Pence lamentou "um dia obscuro" e condenou as violências.

"Mesmo depois da violência e vandalismo sem precedentes neste Capitólio, os representantes eleitos do povo dos Estados Unidos se reúnem novamente neste mesmo dia para defender a Constituição", destacou Pence.

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, afirmou na retomada da sessão que a Câmara "não se deixaria intimidar". "Tentaram perturbar nossa democracia e falharam", declarou.

Já o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que os atos foram provocados "pelas palavras, as mentiras" de Trump, e deixarão "uma mancha que não será apagada facilmente".

As objeções à vitória Biden nos estados do Arizona e da Pensilvânia foram rejeitadas pelas duas câmaras do Congresso na manhã desta quinta-feira, superando o que poderia ser o último obstáculo para a ratificação dos resultados da eleição de 3 de novembro.

Biden teve os 306 votos que ganhou no Colégio Eleitoral confirmados, em comparação a 232 de Trump, nas eleições realizadas em novembro de 2020.

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