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Maia sugere que mudança no DEM pode afastar Huck: 'estava 90% resolvido'

Luciano Huck ainda não decidiu se vai ser candidato a presidente - Reprodução/vídeo
Luciano Huck ainda não decidiu se vai ser candidato a presidente Imagem: Reprodução/vídeo

Colaboração para o UOL

08/02/2021 08h58Atualizada em 08/02/2021 11h29

O apresentador Luciano Huck ainda não decidiu se vai ser candidato a presidente em 2022 e sequer se filiou a algum partido até agora. Mas de acordo com Rodrigo Maia (DEM-RJ), se Huck entrasse para a disputa, provavelmente seria o candidato do DEM. Ele afirmou que estava tudo "90% resolvido", mas que o apresentador deve se afastar do partido agora por causa da eleição para presidente da Câmara dos Deputados.

Segundo Maia, a decisão do DEM de declarar neutralidade na véspera do pleito e abrir caminho para a vitória do candidato do governo Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL), acabou com os objetivos do partido de construir um projeto nacional, inclusive em torno de uma candidatura presidencial do apresentador da TV Globo.

O projeto do DEM acabou. O Luciano Huck estava filiado no DEM. Se decidisse ser candidato, estava 90% resolvido que se filiaria ao DEM. O ACM Neto tem mais relação (com Huck) que eu. Eu tenho, mas o Neto também tem. Não descarto nem a hipótese de o Bolsonaro acabar filiado ao DEM
Rodrigo Maia, em entrevista ao jornal Valor Econômico

"O grande problema é que o partido voltou ao que era na década de 1980, para antes da redemocratização, quando o presidente do partido aceita inclusive apoiar o Bolsonaro. Isso por decisão da direção partidária", lamentou Maia em entrevista ao jornal Valor Econômico.

O deputado reafirmou que deixará o partido, após se sentir traído pelo presidente ACM Neto (BA). Segundo Maia, o ex-prefeito de Salvador havia dado sua palavra que o DEM apoiaria a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), articulada pelo agora ex-presidente da Câmara, mas recuou. Ele também criticou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, por defender o bloco de Rossi, mas articular nos bastidores em favor de Lira. Segundo Maia, faltou "caráter" aos dois correligionários.

Estarei num partido que será de oposição ao presidente Bolsonaro. O partido a que vou me filiar será de oposição, diferentemente do ACM Neto, que fala uma coisa em "off" e em "on" fala outra, que diz que não apoia de jeito nenhum e ao mesmo tempo dá entrevista dizendo que pode ir do Ciro ao Bolsonaro. Mostra que não tem ou perdeu a coluna vertebral.
Rodrigo Maia

Maia acredita que, como o DEM se aproximou de Jair Bolsonaro (sem partido) na eleição para a Câmara dos Deputados, é possível que o partido apoie o presidente na eleição de 2022.

Bolsonaro está sem partido atualmente, mas pretende criar o Aliança pelo Brasil até março. Se não conseguir, terá que se filiar a outra legenda, que ainda não foi definido.

Trabalhei no DEM por 20 anos para transformá-lo num partido de centro, centro-direita, e o partido decidiu não apenas pelos seus deputados, mas pela sua direção, que é um partido que tende a ser de direita, extrema-direita, apoiando o Bolsonaro.
Rodrigo Maia

Maia também analisou qual deve ser o posicionamento político de Luciano Huck, que já se reuniu com políticos de esquerda e direita. Para ele, o apresentador deve se voltar mais à direita.

"Para mim, é mais centro-direita... quem está no entorno dele, pelo que ele pensa, pelo que a gente conversa. Claro, pelo setor que ele trabalha, é mais de esquerda, artistas. Mas, na economia ele com certeza é um liberal, pensa em menos intervenção do Estado", analisou Maia

Questionado se estaria arrependido por não abrir o processo de impeachment de Bolsonaro enquanto esteve no comando da Câmara, Maia novamente disse que não há condição política para tirar o presidente neste momento.

"O julgamento do impeachment é político, e as condições políticas não estão colocadas. Querendo ou não, Bolsonaro tem 30% de ótimo/bom e 40% de ruim/péssimo. A abertura de um impeachment em um momento em que as condições políticas não estão colocadas só o fortaleceria. Tiraríamos da agenda a pandemia e colocaríamos o impeachment", disse o deputado.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a matéria, ACM Neto é ex-prefeito de Salvador, e não ex-governador da Bahia. A informação foi corrigida.

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