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Agência de banner com máscara de ponta cabeça venceu editais de R$ 129 mi

Banner de campanha do governo do Rio mostra máscara de cabeça para baixo - Reprodução/Twitter/_fabioreis
Banner de campanha do governo do Rio mostra máscara de cabeça para baixo Imagem: Reprodução/Twitter/_fabioreis

Lucas Valença

Colaboração para o UOL, em Brasília

15/04/2021 04h00Atualizada em 15/04/2021 16h08

A agência Propeg Comunicação S/A, responsável pela campanha promovida pela Secretaria de Saúde do estado do Rio de Janeiro que viralizou nas redes sociais após mostrar um modelo utilizando uma máscara de cabeça para baixo, foi a maior vencedora dos editais já licitados pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido). O valor deles chega a R$ 129 milhões.

Desde o início da atual gestão, quatro concorrências para a prestação de serviços de publicidade a órgãos da administração pública federal foram concluídas. A Propeg esteve entre as vencedoras de metade das disputas.

A criadora do slogan "O Rio abraça a vacina. O Rio abraça a vida", que viralizou nas redes de forma negativa, foi uma das vencedoras dos editais do BNDES, no valor de R$ 75 milhões, e da Embratur, estimado em R$ 54 milhões.

As outras duas disputas que ocorreram desde 2019, que não tiveram a Propeg como finalista, foram as da Infraero e da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Além dos contratos adquiridos na atual gestão, a agência fundada pelo publicitário baiano Fernando Barros possui as contas do Ministério do Turismo, da Petrobras, dos governos do Distrito Federal, dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, entre outros.

No entanto, muitos dos contratos firmados pela empresa foram adquiridos ainda nos governos comandados pelo Partido dos Trabalhadores. Mas foi em 2017, ainda durante o governo do então presidente Michel Temer (MDB/SP), que um outro erro foi cometido pela agência.

Em nota, a Propeg disse que todas as contas públicas atendidas são compartilhadas com outras agências. "Além do que a maior parte da verba é destinada a veículos e produtoras."

"A Propeg é uma agência com 55 anos de mercado, uma das 20 maiores agências brasileiras, operando em diversos mercados. Sempre disputou licitações de contas públicas, dada grande experiência neste setor. Ao longo da história perdeu e ganhou várias das concorrências, que na maioria das vezes consagram entre duas e quatro para atenderem ao mesmo cliente", acrescenta.

Turismo ou Esporte?

Durante a gestão do emedebista, a empresa disputou a licitação para a prestação dos serviços ao Ministério do Turismo. Ao apresentar a peça publicitária, para disputar o edital estimado em R$ 50 milhões, a Propeg identificou o cliente como sendo o então Ministério do Esporte. Mesmo com a confusão, foi a primeira colocada da concorrência.

Sobre isso, a Propeg afirma que "desconhece o registro do jornalista sobre o erro, que não cometeu, e esclarece que todos os documentos são públicos".

O UOL procurou por email o Palácio do Planalto por volta do meio-dia de quarta-feira (14) e aguarda retorno.

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