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Jefferson chama Incra de organização criminosa e o relaciona a mortes no PA

Natália Lázaro

Colaboração para o UOL, em Brasília

16/04/2021 20h04Atualizada em 16/04/2021 20h04

Um vídeo em que o presidente nacional do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), Roberto Jefferson, aparece chamando o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) de organização criminosa tem circulado entre servidores e gerado burburinho nos corredores do órgão.

Nas imagens, o político relaciona o Incra a casos de assassinatos e sequestros em Santarém, no oeste do Pará. A região tem enfrentado conflitos entre moradores e empresários quanto a posse de terras.

Ao lado do empresário do setor agropecuário Eduardo Kalil Faissal, ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pretende "limpar" o instituto e que ainda não o fez por "falta de tempo".

"Eu conheço a atuação do Incra desde o PT [Partido dos Trabalhadores], é uma 'orcri', é uma organização criminosa hoje no Brasil. Esse Incra ainda é uma organização criminosa porque o presidente Bolsonaro não teve tempo de limpar o Incra. É muita coisa para ele limpar e não pode se dedicar a limpar o Incra", disse.

No vídeo de quase três minutos, ele disse que vai "ajudar" o presidente e levará as acusações ao Ministério da Justiça e ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Entre os supostos crimes, Jefferson cita "pistolagem, assassinato, homicídio, sequestro, essas coisas que estão acontecendo aí no oeste do Pará, em Santarém". "Nós vamos encaminhar isso ao Incra, ao presidente da República, ao general Heleno do GSI e ao ministro da Justiça. É meu compromisso com vocês, com o Doutor Eduardo", afirmou.

Procurada pela reportagem, a assessoria do PTB não se manifestou

Repúdio dos servidores

O vídeo com as acusações contra o Incra chegou aos corredores do instituto e gerou indignação entre os servidores da casa. Em resposta, o Sindicato Nacional dos Peritos Federais Agrários (SindPFA) publicou nota de repúdio às falas e disse que irá reportar as insinuações ao Ministério da Agricultura.

"Ataques como esse são a prova de que, não obstante todas as dificuldades orçamentárias e obstáculos impostos por governos de plantão, o Incra segue sendo fundamental para promover uma gestão territorial eficaz e resguardar os direitos envolvidos com a terra", disse o sindicato.

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