PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
8 meses

Aziz: Bolsonaro queria que eu prendesse Wajngarten para que a CPI acabasse

Presidente eleito da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) - Jefferson Rudy/Agência Senado
Presidente eleito da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

22/05/2021 15h56Atualizada em 22/05/2021 22h34

O líder da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) gostaria que o colegiado prendesse o ex-secretário de Comunicação do governo Fabio Wajngarten para que as investigações não tivessem continuidade.

Na perspectiva do parlamentar, Bolsonaro tem feito críticas contra ele e senadores do Amazonas após ser contrariado com o prosseguimento das atividades da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Porque ele queria que prendesse o Wajngarten e a CPI acabasse naquele dia. Mas, eu não caí naquela piadinha. Então eu sei que ele está com raiva por causa disso. Eu sei que aquilo seria o momento épico dele: 'olha aí, estão querendo fazer política, agora querendo prender. Bando de bandido querendo prender um homem honesto e tal'. Seria o discurso para acabar com a CPI e a gente não continuasse com as investigações
Omar Aziz, presidente da CPI da Covid

As declarações de Aziz foram feitas hoje, em entrevista por vídeo ao grupo Prerrogativas. O senador acredita que a CPI não "mordeu a isca" em relação às ameaças de Bolsonaro, feitas durante uma live no Facebook na quinta-feira (20), sobre acabar com a Zona Franca de Manaus. O parlamentar disse que outras pessoas tentaram acabar com a região comercial, mas que a Constituição assegura a manutenção da área.

Ele [Bolsonaro] não ingenuamente, porque tudo que ele faz é premeditado, disse: 'Esse senador aí, Omar, fala muito, Eduardo Braga [senador do MDB-AM], imagine se Manaus não tivesse Zona Franca'
Omar Aziz, presidente da CPI da Covid

Ameaçado por "robôs"

Ao ser questionado se havia se tornado alvo de ameaças após assumir a liderança da CPI da Covid, Omar Aziz declarou que tem sido atacado "por robôs". O senador minimizou a situação ao alegar que já enfrentou uma ditadura militar e que "não é um país em que estamos vivendo hoje em dia" que irá temer.

Os robôs atacam muito, mas isso não vai nem deixar eu perder meu equilíbrio, que é o que querem, e nem não permitir que eu cada dia mais eu descubra todo dia uma mentira nova que eles criam
Omar Aziz, presidente da CPI da Covid

A respeito da nova convocação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para prestar um terceiro depoimento à Comissão, Aziz justificou que o general do Exército conduziu suas respostas de forma "hilária" diante de fatos concretos.

A presença do Pazuello é hilária porque ele consegue, diante de todos os fatos concretos, que todo Amazonas viu o presidente dizer que 'eu mando e não quero assinar pelas vacinas da Coronavac'. Um com covid, os dois sem máscara, 'um manda e outro obedece'. Por isso ele está sendo convocado novamente. Espero que o Supremo permita que a gente consiga tocar o nosso trabalho normal
Omar Aziz, presidente da CPI da Covid

O pedido para que Pazuello seja ouvido mais uma vez foi apresentado ontem pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Segundo o parlamentar argumentou, as oitivas dos dias 19 e 20 de maio foram permeadas por "diversas contradições verificadas no cotejo, com documentos e informações disponibilizados à CPI".

O senador quer que o ex-ministro esclareça as dubiedades do depoimento e que para isso é necessário que Pazuello seja convocado mais uma vez para ser ouvido pelo colegiado

Errata: o texto foi atualizado
A entrevista não foi dada à revista Fórum, mas sim ao grupo Prerrogativas. A entrevista foi retransmitida pelo canal da Fórum. A informação foi corrigida.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.