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Conteúdo publicado há
6 meses

Mayra Pinheiro nega que Bolsonaro tenha pedido defesa da cloroquina

Rayanne Albuquerque e Hanrrikson de Andrade*

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

25/05/2021 10h46Atualizada em 25/05/2021 11h12

Em depoimento à CPI da Covid, a servidora Mayra Pinheiro, conhecida como "capitã cloroquina", afirmou hoje não ter recebido ordens do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou do ex-chefe, Eduardo Pazuello (ex-ministro da Saúde), para defender o uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada no tratamento do coronavírus.

Nunca recebi ordem e o uso desses medicamentos não é uma iniciativa minha pessoal
Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde

O tema da cloroquina e da defesa feita pelo governo federal de remédios que não tem eficácia contra a covid é um dos principais pontos de interesse da CPI.

Logo na abertura da audiência, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), pediu respostas sobre os motivos de o Ministério da Saúde ter retirado recentemente as recomendações da cloroquina da página oficial da pasta.

Em resposta, Mayra Pinheiro declarou que essa foi uma medida adotada pelo atual ministro, Marcelo Queiroga, com o intuito de montar um protocolo para a doença e evitar divergências sobre o tratamento.

O ministro Marcelo, em uma atitude acertada, levou para Conitec todas as construções de protocolos clínicos para a conduta da doença para eliminarmos o que existe hoje da divergência de opiniões
Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde

A "capitã cloroquina" também foi indagada a respeito da tese da imunidade de rebanho, que chegou a ser defendida por aliados do governo como um "caminho possível" para solucionar os problemas da pandemia sem que o estado brasileiro precisasse recorrer ao lockdown (interrupção total das atividades).

Na versão da depoente, não houve orientação do governo para que o ministério trabalhasse com tal estratégia. Ela também negou ser favorável à tese, mas tentou relativizar durante a resposta e foi interrompida pelo relator, que pediu "objetividade".

Depoimento ao MPF

A médica cearense Mayra Pinheiro já foi ouvida pelo Ministério Público Federal na investigação que apura se houve omissão do govenro federal diante do avanço da pandemia, da falta de oxigênio e insumos em Manaus, no Amazonas,

Durante os depoimentos, Mayra confirmou ter conversado com médicos e estimulado a prescrição da cloroquina e da hidroxicloroquia em "doses seguras", ainda que as medicações não tenham eficácia comprovada contra a covid-19. A informação foi revelada à época pelo jornal O Globo.

* Colaborou Ana Carla Bermúdez

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.