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1 mês

"Não havia desejo de mudança", diz Hajjar, que rejeitou Ministério da Saúde

Médica cardiologista Ludhmila Hajjar - Reprodução/CNN
Médica cardiologista Ludhmila Hajjar Imagem: Reprodução/CNN

Do UOL, em São Paulo

06/06/2021 12h30

A cardiologista Ludhmila Hajjar, professora da USP (Universidade de São Paulo), disse que rejeitou o convite para ser ministra da Saúde por não ver intenção de mudança de rumos do governo Jair Bolsonaro (sem partido) no combate à pandemia.

Em entrevista ao jornal O Globo, a médica declarou que foi até Brasília para conversar com o presidente, mas não viu "desejo de mudança". Para ela, o Brasil já está vivendo a terceira onda.

"Na primeira conversa, no Palácio do Alvorada, já ficou claro que não pensávamos igual. Realmente não havia um desejo de mudança por parte do governo. Tentei alinhar, disse que estava ali para ajudar, mas não deu. Não estou no Ministério da Saúde pois não houve convergência de ideias entre mim e o presidente da República", declarou Hajjar.

Ela disse que foi ao encontro de Bolsonaro por acreditar "que pudesse estar havendo uma mudança de direcionamento, frente a tantas mortes", pois suas posições sempre foram claras, mas se enganou.

Eu não esperava, sou uma médica, professora universitária, minhas posições são muito claras e sempre foram. Jamais acreditei em tratamento precoce, tão defendido por alguns. Sempre defendi o isolamento social e a Ciência no controle da pandemia.
Ludhmila Hajjar, cardiologista

Terceira onda já está acontecendo

A cardiologista disse acreditar que o Brasil vive a terceira onda desde a segunda semana de maio, embora, ela ponderou, talvez o país não tenha saído nem da segunda onda.

"É claro que, em epidemiologia, surgiria uma segunda onda depois que a primeira se encerrou. Se nós olharmos com atenção, não saímos da segunda onda, mas vínhamos declinando em casos de óbito. Desde a segunda semana de maio, podemos afirmar sim que estamos vivendo a terceira onda", declarou Hajjar.

Ontem, o Brasil registrou 1.661 óbitos por covid-19, de acordo com o consórcio de imprensa do qual o UOL faz parte. Ao todo, o país já soma 472.629 mortes pela doença. Já são quatro meses e meio, ou 136 dias, em a média de mortes está acima de mil.

Para Hajjar, a solução para reversão deste cenário está na vacinação.

"Após uma cobertura vacinal ampla, os dados significativamente melhoraram [em outros países], mas o Brasil, apesar de ter, em números absolutos, uma quantidade grande de vacinas, não alcançou a cobertura vacinal", declarou a médica.

"Essa conversa poderia ser completamente diferente se a gente chegasse aqui com 40%, 50% da população vacinada. Estamos entre 14% e 16% da população brasileira vacinada em duas doses", completou a cardiologista.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.