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Aziz: Foco da CPI é saber se houve interesse financeiro sobre cloroquina

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid - Edilson Rodrigues/Agência Senado
O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

10/06/2021 14h58Atualizada em 10/06/2021 17h07

Os próximos passos da investigação conduzida na CPI da Covid é saber se houve interesse financeiro na aquisição de cloroquina. Além dessa linha, há outras quatro sendo encaminhadas em torno de temas ligadas às ações de combate ao enfrentamento da pandemia do coronavírus. Os detalhamentos foram citados hoje pelo presidente do grupo, senador Omar Aziz (PSD-AM), em entrevista à GloboNews.

De cabeça, me lembro de quatro linhas de investigação: como se propagou, quem fez, quem está por trás, quem bancou páginas de jornais que valem uma fortuna, quem bancou isso. Isso nós estamos atrás. Isso é uma das linhas, mas tem três ou quatro que estamos atrás e vamos entender por quê desse "amor"
Omar Aziz

As desconfianças da Comissão Parlamentar de Inquérito se somam às atitudes do governo em evitar medicamentos vindos da China, ao mesmo tempo que estava disposto a considerar medicamentos da Índia. A leitura de Aziz diante dessa questão e do aumento considerável do valor de doses do imunizante contra o coronavírus na compra feita pelo Brasil intriga os parlamentares.

Foram 100 milhões de vacinas que ele comprou por dois dólares a mais. Por que era 10 [dólares] e virou 12? Não estou entendendo. A produção de remédio, quanto maior oferta, tendência é diminuir preço, agora aumenta preço?
Omar Aziz

Aziz citou ainda que a tese da imunidade de rebanho, defendida pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode ser considerada como "um crime contra a vida". Com ironia, o líder da CPI chegou a citar um trecho do depoimento do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que agradeceu em seu depoimento às oportunidades que Bolsonaro lhe deu desde que assumiu a pasta.

Queiroga diz que, depois de ser médico, com tanto estudo, a maior oportunidade que ele teve na vida foi o presidente Bolsonaro. Me erre, Queiroga, por favor
Omar Aziz

"Gabinete do ódio falou mal de vacinas"

O chamado "gabinete do ódio", suspeito de produzir mensagens notícias falsas sobre a pandemia, é responsável por ter criado um clima temeroso sobre as vacinas no país, segundo Omar Aziz.

O parlamentar acredita que a partir do estabelecimento da CPI da Covid é que o Brasil conseguiu ter uma segunda versão dos fatos, com a opinião pública acompanhando o que diz a ciência em contraste com o que diz o governo Bolsonaro.

Foi o gabinete do ódio que falou mal das vacinas. Se nós conseguimos empatar a opinião pública é porque a CPI existe e vocês começaram a dar visibilidade a depoimentos
Omar Aziz

Convocação coercitiva de Wizard

O empresário Carlos Wizard foi convocado para prestar depoimentos como testemunha na CPI da Covid, mas até o momento não deu retorno sobre o seu comparecimento.

Aziz deixou claro em entrevista à GloboNews que, caso ele não se manifeste, será convocado coercitivamente para se apresentar diante do colegiado, no Senado.

O que ficou decidido é que se Carlos Wizard não comparecer, iremos pedir a convocação dele coercitivamente para que ele possa comparecer ao senado para depor à CPI. Falam que ele está morando nos EUA, mas ele precisa dar uma resposta, justificativa à CPI
Omar Aziz

O empresário está entre os convocados por ser suspeito de integrar o que foi citado inicialmente pelo ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de "gabinete paralelo" no Planalto.

Esse gabinete seria responsável por incentivar o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para tratar pacientes com a covid-19, como a hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, amplamente incentivados por Jair Bolsonaro.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.