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1 mês

Bolsonaro ataca Doria, defende falso tratamento precoce e critica máscara

Fabio Castanho, Nathan Lopes, Wanderley Preite Sobrinho e Anahi Martinho

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

12/06/2021 14h39Atualizada em 12/06/2021 23h43

Após a "motociata" que reuniu hoje em São Paulo 12 mil motociclistas (segundo a Secretaria Estadual de Segurança), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atacou em discurso o governador paulista, João Doria (PSDB), voltou a defender um falso tratamento precoce contra a covid-19 e a criticar o uso de máscara na pandemia.

Bolsonaro discursou em um carro de som na região do Parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. No palanque, ele e seus apoiadores não utilizavam máscara. Entre o carro de som e o Monumento às Bandeiras, as pessoas estavam aglomeradas e, em sua maioria, também não usavam o equipamento de proteção.

Pela ausência da máscara, Bolsonaro foi multado em R$ 552,71 pelo governo de São Paulo. Os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), além de cinco deputados federais — incluindo Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) — e um deputado estadual também foram autuados.

Quando chegou ao local, por volta das 13h30, o presidente desceu da moto e foi ao encontro dos apoiadores que, atrás de uma cerca de proteção, gritavam seu nome enquanto o carro de som tocava o Tema da Vitória, usado nas vitórias do piloto Ayrton Senna na Fórmula 1.

"Bem lá na frente"

Com tom de campanha eleitoral, o presidente disse querer entregar "bem lá na frente" um governo melhor do que recebeu. Mais uma vez, ele discursou contra as medidas sanitárias para frear a pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 480 mil pessoas.

Temos, hoje, no Brasil um presidente da República, um governo que acredita em Deus, que é leal à sua população, respeita seus militares e só tem um objetivo: no futuro, lá na frente, bem lá na frente, entregar um governo bem melhor do que recebeu em janeiro de 2019
Jair Bolsonaro, presidente da República

Críticas contra a prevenção

Ele voltou a citar sua ideia de levar ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de desobrigar o uso de máscara para quem já foi vacinado ou infectado pelo novo coronavírus. Os apoiadores gritaram "eu autorizo". "Vocês me autorizaram quando votaram em mim em 2018", disse Bolsonaro.

A ideia de Bolsonaro sobre desobrigar o uso de máscaras é criticada pelos especialistas em saúde. Quem já foi infectado pode contrair o vírus novamente. E quem foi vacinado ainda pode transmitir o vírus enquanto a maior parte da população não estiver imunizada.

Bolsonaro também falou novamente sobre tratamento precoce, que não tem comprovação científica. Ele disse que utilizou hidroxicloroquina após ter contraído covid-19 no ano passado. "No dia seguinte, estava curado", disse.

Bolsonaro ainda citou, mais uma vez, relatório "ainda inconclusivo" do TCU (Tribunal de Contas da União), que defenderia "supernotificação" de contaminados no Brasil, o que já foi desmentido pelo tribunal. "O Brasil seria um dos países com o menor número de mortes por milhão de habitantes", cravou. "O motivo", disse, "está no tratamento precoce".

Ataques a Doria

Os ataques ao governador de São Paulo foram comuns ao longo da "motociata". Bolsonaro, inclusive, chegou a "reger" xingamentos ao tucano.

"Meu governo não fechou comércio, não impôs toque de recolher. Quem fez isso, fez errado", disse, acompanhado por um coro de "fora, Doria". "Eu desafio o governador daqui vir conversar com vocês", disse Bolsonaro.

"Governador" Tarcísio

Bolsonaro estava acompanhado de ministros de seu governo, como Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente. Freitas, que tem sido constantemente lançado pelo presidente como candidato ao governo de São Paulo, discursou no palanque.

"Uma honra ter participado desse passeio. Eu nunca vi tanto verde e amarelo na minha vida. Muito bom ver uma manifestação de brasilidade", disse o ministro da Infraestrutura. "Quando vejo vocês, sei que não aceitaremos ser a geração perdida". O ministro foi exaltado pelos apoiadores de Bolsonaro com gritos de "governador".

A "motociata" registrou aglomeração e desrespeito a medidas contra a pandemia do novo coronavírus. O evento, que reuniu 12 mil motos, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, também foi marcado pela aproximação de Bolsonaro com policiais militares —houve troca de abraços e registro de fotos—, além de um acidente entre motos. Ele agradeceu os membros da PM (Polícia Militar) e disse que "estarão juntos aconteça o que acontecer". "A presença de vocês aqui hoje nos fortalece", disse.

Em nota, a PM disse que, "conforme é possível ver nas imagens, o presidente da República sinalizou em abraço ao policial militar, que apenas retribuiu o gesto". "Com relação os policiais que foram vistos captando imagens, a PM também esclarece que os agentes possuem terminais móveis de dados (aparelhos celulares), com os quais coletam dados e imagens transmitidas à Sala de Crise para o gerenciamento em tempo real do ato."

Uma pedra no STF

Antes de Bolsonaro discursar, o principal organizador do evento, o empresário Jackson Villar, fez uma analogia bíblica para sugerir ao presidente que interviesse no STF (Supremo Tribunal Federal).

"Deus ungiu esse homem como capitão da nossa Nação, como o rei David. David começou a vida dele quando derrubou Golias e usou uma pedra só para derrubar o inimigo de Israel naquela época", disse.

"Bolsonaro, (...) coloque uma pedra no Supremo Tribunal e você vai ver que esse castelo cai: Deus ungiu Jair Messias Bolsonaro. Recado aos comunistas: pega a sua mala e saia desse país enquanto é tempo."

Espera com espetinho

Apoiadores aguardavam Bolsonaro no Monumento às Bandeiras com forró, espetinho e faixas com dizeres como "Supremo é o povo" e "A nossa bandeira jamais será vermelha". Na playlist, hino nacional em ritmo de forró e músicas de apoio ao presidente.

Munido de um megafone, um manifestante gritava palavras de ordem. "Nós não vamos deixar a esquerda tomar o poder".

O presidente foi recebido no Monumento às Bandeiras por uma multidão de apoiadores, que desesperados para chegar mais perto do "mito", tentavam pular as grades de segurança.

Soldados do exército à paisana, que faziam a segurança, tiveram que pedir reforços no local mais próximo do carro de som, para conter apoiadores que tentavam invadir o local. Um esquema de revista de bolsas para entrar no gramado foi abandonado quando Bolsonaro começou a falar no carro de som.

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