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Randolfe diz que CPI vai investigar se laboratórios lucraram com cloroquina

"Que [o governo] focou em cloroquina e não em vacina, resta mais do que comprovado", avaliou Randolfe - Marcos Oliveira/Agência Senado
"Que [o governo] focou em cloroquina e não em vacina, resta mais do que comprovado", avaliou Randolfe Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

14/06/2021 19h05Atualizada em 14/06/2021 19h22

Vice-presidente da CPI da Covid, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) anunciou hoje que um dos próximos passos da comissão é investigar se laboratórios que produzem a hidroxicloroquina, comprovadamente ineficaz contra a covid-19, lucraram com a defesa e a propaganda do medicamento feita por membros do governo federal — em especial, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Ele lembrou que, em abril de 2020, Bolsonaro entrou em contato com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para pedir a liberação de insumos para fabricar cloroquina. Esse movimento, segundo Randolfe, favoreceu empresas brasileiras que produziam o medicamento no país — uma delas, inclusive, recomendava em seu site o uso da cloroquina no tratamento da covid-19, apesar de ineficaz.

"Que [o governo federal] focou em cloroquina e não em vacina, resta mais do que comprovado. O que nós temos que avançar agora é por que fizeram isso", disse o senador em entrevista à GloboNews. "A hipótese que vamos perseguir a partir de agora é a seguinte: [se] a obsessão pela hidroxicloroquina tinha uma razão de ser, que era a obtenção de lucros por parte de empresas."

O vice-presidente da CPI também não descartou a existência de um esquema entre os laboratórios de produtores de cloroquina e o chamado "gabinete paralelo", composto por médicos e empresários alinhados ao governo que supostamente influenciavam as decisões do Ministério da Saúde sobre o combate à pandemia.

A suspeita da CPI é de que foi neste "gabinete paralelo" que surgiu a aposta na cloroquina e na tese da imunidade coletiva contra a covid-19 (ou "imunidade de rebanho") por meio da contaminação, e não da vacinação. A médica oncologista Nise Yamaguchi e o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) são algumas das autoridades apontadas como integrantes desse gabinete.

"Podemos ter aí um esquema montado de laboratórios de financiamento da cloroquina por parte desse tal 'gabinete paralelo' em favor de algumas empresas, com a obtenção de dividendos", sugeriu Randolfe.

No início do ano passado, uma dessas empresas [que produzem hidroxicloroquina], pelas informações que temos, tinha um déficit R$ 200 milhões. Hoje, essa empresa alcançou superávit de R$ 1 bilhão. Essas práticas no mínimo trazem indícios de advocacia administrativa [por parte do governo federal].
Randolfe Rodrigues, sem citar nomes

"Gabinete paralelo" na mira

Os parlamentares que integram a CPI querem ouvir Osmar Terra e o virologista Paolo Zanotto, também apontado como integrante do "gabinete paralelo". Em setembro do ano passado, eles participaram de um encontro no Palácio do Planalto em que o grupo defendeu o uso de cloroquina e pôs em dúvida a eficácia das vacinas.

Terra teve sua convocação aprovada no último dia 9, mas seu depoimento ainda não tem data definida.

O requerimento para a convocação de Zanotto, apresentado por Randolfe Rodrigues, ainda não foi analisado. Segundo o vice-presidente da CPI, "parece haver certa intimidade entre o médico e o presidente Bolsonaro".

(Com Agência Senado)

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.