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1 mês

Covid: Itamaraty recusou reunião com a China para combater pandemia, diz TV

O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi ouvido como testemunha na CPI da Covid, no Senado - Jefferson Rudy/Agência Senado
O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi ouvido como testemunha na CPI da Covid, no Senado Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

14/06/2021 15h55Atualizada em 14/06/2021 16h02

Enquanto estava à frente do Itamaraty, a gestão do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo recusou o convite da China para participar de uma reunião virtual que tinha como objetivo tratar de ações para o combate da covid-19. Ofícios da embaixada do Brasil na China foram acessados pela TV Globo e divulgados no Jornal Nacional.

Os documentos estão sob posse da CPI da Covid e foram enviados entre 8 e 24 de julho de 2020. O envio do convite ocorreu mesmo após a gestão federal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atacar o governo chinês e insinuar que a economia do país asiático poderia estar se beneficiando da pandemia.

A reunião da qual o Brasil poderia ter feito parte contou com a participação virtual da China, do México, de Barbados, do Chile, da Argentina, da Colômbia, da Costa Rica, da República Dominicana, de Cuba, do Equador, do Panamá, do Peru, de Trindad e Tobago e do Uruguai.

De acordo com a TV Globo, o relatório enviado à Comissão Parlamentar de Inquérito contraria o depoimento prestado pelo ex-chanceler ao colegiado do Senado.

Ernesto havia dito que as críticas de Bolsonaro à China não haviam interferido na negociação do Brasil para a aquisição de imunizantes contra o coronavírus.

Bolsonaro chegou a citar que a origem do coronavírus poderia fazer parte de um plano de "guerra química" promovido pela China. O governo chinês chegou a se posicionar contra as declarações do presidente, afirmando que o vírus não deveria ser politizado.

Após os atritos com o Brasil, a houve uma série de atrasos na entrega de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), pela China. O material é peça fundamental para a elaboração de imunizantes contra o coronavírus e, sem ele, não é possível desenvolver vacinas no Brasil.

O UOL entrou em contato com o Itamaraty para confirmar a informação sobre os ofícios trocados entre a China e o Brasil e a recusa da participação do evento durante a gestão do ex-chanceler Ernesto Araújo. Até o momento da publicação desta matéria, o órgão não deu retorno.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.