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Bolsonaro não tem sensibilidade e nem noção da cadeira que ocupa, diz FHC

Fernando Henrique criticou a gestão de Bolsonaro durante a pandemia de covid-19 - Tânia Rêgo/Agência Brasil
Fernando Henrique criticou a gestão de Bolsonaro durante a pandemia de covid-19 Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Colaboração para o UOL

24/06/2021 23h19

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concedeu entrevista hoje ao jornalista Juca Kfouri na Rede TVT e teceu diversas críticas em relação à gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo o tucano, Bolsonaro "não tem sensibilidade" nem "noção da cadeira" que ocupa na presidência da República.

"Elegemos uma pessoa que não tem a mínima sensibilidade humana. Foi um erro coletivo. Espero que não paguemos o preço de reelege-lo. É ruim que o presidente não mostre o sentimento em meio a uma tragédia. As vidas valem mais do que qualquer posição política. Falta uma orientação daquele que simboliza uma orientação nacional. Não que ele tenha responsabilidade pelo coronavírus, mas tem a responsabilidade politica pelo sofrimento humano. Eu lamento muito", criticou FHC.

Fernando Henrique Cardoso lembrou que o Brasil superou a marca de 500 mil mortes e afirmou que o governo atual "não tem vibração" para lamentar as vítimas da covid-19. "A reação, o sentimento, a preocupação, falta solidariedade. Isso eu nunca vi", disse.

O ex-presidente afirmou que a democracia está em risco com a presença de Jair Bolsonaro à frente do país. Segundo FHC, é preciso uma união ampla para a manutenção democrática.

"As divergências políticas vão continuar, mas temos que ter consciência que a democracia passa a ser essencial. Não acho que o presidente está tramando contra a democracia. É pior do que isso. Ele vai pouco a pouco. Aos poucos, vai contaminando o sentimento das pessoas. Precisa de uma união ampla em defesa da democracia. Precisamos conclamar todos que têm sentimentos democráticos para impedir essa desagregação permanente da política brasileira", alertou.

Lula e Moro

Fernando Henrique Cardoso também falou sobre sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se encontrou no início da semana em São Paulo.

"Tanto o Lula como eu somos democratas, cada um ao seu modo. Sentimos um cheirinho a vista. Na hora h, vamos estar juntos para defender a democracia. Foi uma conversa de quem se respeita e sabe que está na hora de estar unido em respeito as instituições", contou FHC.

No dia em que Gilmar Mendes declara o ex-juiz Sergio Moro suspeito em mais dois processos que envolvem o ex-presidente Lula, FHC disse que o maior erro do magistrado foi ter aceito um ministério no governo de Bolsonaro.

"Ele tentou colocar ordem contra pessoas poderosas. Às vezes acertou, outras, errou. Acho que ele se equivocou quando aceitou ser ministro de um governo que não vou nem repetir porque não é necessário", disse.

Paulo Guedes

Pai do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso também comentou a gestão do atual ministro da Economia, Paulo Guedes. O ex-presidente afirmou que o chefe da pasta econômica é "descolado da realidade" brasileira.

"Trata-se de uma pessoa que não sabe que na vida economia o povo conta. Ele acredita nos técnico e parece perdido diante do Congresso. Ele vive no mundo muito acadêmico e fechado. Ele tem um lado, não é o meu. Ele parece outsider, fechado no que ele acredita. O Brasil não é assim, ele me da impressão que não entende", analisou.

Fala de Bolsonaro

No ano de 1999, o então deputado Jair Bolsonaro defendeu que o Brasil só iria melhor com uma "guerra civil". Presidente à época, FHC sofreu com um dos diversos ataques de Bolsonaro ao longo dos anos. O atual presidente da República afirmou que Fernando Henrique deveria ser "fuzilado".

"Fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil, começando com o [então presidente] FHC. Não deixar pra fora, não, matando. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente", defendeu o então deputado Bolsonaro.

Mais de 20 anos depois da fala, FHC minimizou e disse que Bolsonaro falou "muita coisa sem sentido" quando era deputado.

"Eu tenho pena dele por isso. Ele sabia pouco, eu não prestava nem atenção nele naquela época. Eu nem prestei atenção. Acho que fiz bem, não guardo ódio, nem rancor. Dito por alguém que vira presidente, complica. Ele, como presidente, não deve dizer mais isso. Ele disse muita coisa sem sentido quando era deputado", ironizou FHC.

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