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Política

Tales Faria: 'Governo está sendo, de fato, entregue ao centrão'

Colaboração para o UOL

21/07/2021 12h15

O colunista do UOL Tales Faria disse acreditar que a "mudança ministerial" anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) demonstra que o governo está "entregue ao centrão". Ao UOL News, Tales avaliou o que essa reorganização representa.

"Por menor que seja, não é pequena. É grande, porque significa que o governo está sendo, de fato, entregue ao centrão", disse. E explicou: "as ideias estão partindo do Fábio Faria, hoje um ministro muito forte no governo. O Fábio Faria é do PSD, mas pode ir para o PP ou para o PL, para outros partidos da base do governo e até falam nele para vice-presidente".

O colunista avaliou que Bolsonaro está "repetindo a movimentação" do ex-presidente Fernando Collor de Mello, quando sentiu "a proximidade do impeachment". Na ocasião, o então senador Jorge Bornhausen foi chamado para ser o coordenador político do governo.

"A segunda tentativa de tomar o governo, do centrão, foi com a Dilma. O centrão aprontou para tomar o governo da Dilma. Ele não queria propriamente o impeachment, queria se assenhorar do governo. A Dilma não deixou, dançou", exemplificou.

Para Tales, a tentativa com o governo da ex-presidente Dilma Rousseff foi uma "farsa". A possibilidade, segundo ele, é de que agora seja "uma tragédia" para Bolsonaro.

Em entrevista à Rádio Jovem Pan de Itapetininga (SP) na manhã de hoje, o presidente da República disse que a "pequena mudança ministerial' deve ocorrer na segunda-feira (26). O presidente, porém, não detalhou quais seriam as alterações.

De acordo com a coluna de Carla Araújo, fontes do primeiro escalão do governo informaram que a ideia é criar um novo Ministério do Trabalho. A pasta deve ser chamada de Ministério do Emprego e da Previdência Social.

O nome mais cotado para o posto é o atual ministro da Secretaria Geral, Onyx Lorenzoni. Para o lugar dele, seria deslocado o ministro Luiz Eduardo Ramos, que hoje comanda a Casa Civil. Já para assumir a cadeira de Ramos, o nome apontado é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Mudança contra impeachment

O também colunista do UOL Kennedy Alencar vê o movimento como uma mudança política "muito grande" e acredita que a medida mostra o enfraquecimento do presidente. Além disso, entende como uma tentativa de "prevenir um eventual impeachment".

No entanto, Kennedy acredita que é difícil, porque apesar de o presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL) estar "sentado em cima dos pedidos", a CPI da Covid "tem avançado na raia da corrupção e obtido provas que enfraquecem Bolsonaro".

"E o Bolsonaro está procurando um partido para ser candidato a presidente no ano que vem. Ele já foi do PP. Ao trazer o presidente nacional, o Ciro Nogueira, para a Casa Civil, ele faz um movimento de muita aproximação com esse partido", disse, em participação no UOL News da tarde de hoje.

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