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Sergio Camargo quer criar 'Museu da Vergonha' com obras 'desviantes'

Presidente da Fundação Palmares já tentou banir mais de 300 obras do acervo - Divulgação/Twitter
Presidente da Fundação Palmares já tentou banir mais de 300 obras do acervo Imagem: Divulgação/Twitter

Do UOL, em São Paulo

04/08/2021 16h05Atualizada em 04/08/2021 16h18

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sergio Camargo, anunciou pelas redes sociais a intenção de criar um "Museu da Vergonha" na instituição, com obras que considera "vergonhosos e desviantes".

"Não quero mais que livros marxistas e bandidólatras sejam doados, embora nada tenham a ver com nossa missão (cultura). Para montar o Museu da Vergonha, na nova sede da instituição, precisarei dos livros vergonhosos e desviantes. Eles são o legado do passado sombrio da Palmares", escreveu ele no Twitter.

A declaração acontece após Camargo tentar doar mais de 300 livros do acervo da fundação, de autores como Aldo Rebelo, Antonio Gramsci, Caio Prado Jr., Celso Furtado, Eric Hobsbawm, Karl Marx, Max Weber e Marilena Chauí e outros.

Segundo Camargo, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados fará uma auditoria no local, a pedido da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA). A visita estava prevista para acontecer hoje, mas foi adiada.

No final de junho, a Justiça Federal do Rio acatou uma ação popular e impediu a doação, sob pena de multa de R$ 500 por item.

"A despeito da autonomia da Fundação, bem como da separação dos Poderes, entendo que a desmobilização de parcela relevante do acervo da mencionada entidade deva passar por uma discussão mais ampla e plural, de acordo com a finalidade da própria Fundação e das comunidades que ela visa proteger e representar", escreveu o juiz Erik Navarro Wolkart na decisão.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.