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Em troca na Cultura, Nunes nega desavenças e diminuição de investimento

Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo - Lucas Borges Teixeira/UOL
Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo Imagem: Lucas Borges Teixeira/UOL

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

30/08/2021 13h23

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), negou desavenças e corte de investimentos na Secretaria da Cultura durante a posse da nova secretária, Aline Torres (MDB), nesta tarde. O ex-secretário Alê Youssef pediu demissão na última quarta (25), quase um ano antes do previsto.

Em sua mensagem de despedida, o ex-secretário citou "explícitas diferenças e óbvias incompatibilidades" com a nova gestão após a morte de Bruno Covas (PSDB), em maio, e "barreiras" para aumentos de investimentos. Para apaziguar, Nunes disse que o dinheiro para a pasta vai aumentar.

"Eu tive a surpresa quando o secretario Alê me procurou comunicando que sairia da prefeitura por conta de um projeto pessoal junto ao privado. Foi muito repentina a decisão que me foi trazida", confirmou o prefeito.

Por sua vez, Nunes falou na "grande responsabilidade de fazer a indicação" de alguém "que fosse à altura do trabalho que ele vinha fazendo". O prefeito afirmou ainda que esperava que Youssef estivesse na posse e que as duas gestões estariam conversando durante a transição da pasta.

O tom usado pelo prefeito é ligeiramente diferente do apresentado pelo ex-secretário em sua mensagem de saída, publicada nas redes sociais, e em carta divulgada a assessores e servidores próximos.

Diante de explícitas diferenças e óbvias incompatibilidades que surgiram e se refletem não apenas ideologicamente, com a dificuldade na compreensão do caráter libertário, transformador da cultura e independente da cultura, como também na liberdade prática, como o descongelamento de verbas para 2021."
Alê Youssef, ex-secretário municipal de Cultura de São Paulo

Youssef não cita Nunes diretamente, mas o descontentamento é evidente.

O ex-secretário, considerado um dos membros mais progressistas do grupo montado por Covas, tinha grandes planos para o centenário da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em fevereiro do ano que vem, e não pretendia deixar a pasta antes disso.

Nunes nega redução de investimento

Um dos motivos para a saída de Youssef seria a redução do investimento na cultura, descumprindo um combinado entre o ex-secretário e o ex-prefeito, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo.

No vídeo de despedida, Youssef fala em "barreiras claras para o aumento substancial do orçamento". Nunes negou.

Segundo o prefeito, o investimento da prefeitura tem aumentado nos últimos anos — R$ 55,4 milhões em 2019, R$ 580 milhões em 2020 e R$ 608 milhões em 2021 — e não deverá diminuir para 2022.

"O risco de ter um orçamento menor é zero é absolutamente zero não existe possibilidade do orçamento da cultura ser menor, tá garantido em lei", afirmou o prefeito, citando a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do município, aprovada em julho deste ano.

O UOL procurou a Secretaria Municipal de Cultura para confirmar os números, mas não teve resposta até a última atualização.

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